GOVERNO APERTA O CINTO

Lula bloqueia R$ 23,7 bilhões do orçamento federal de 2026 para cumprir meta fiscal

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e José Guimarães durante evento no Palácio do Planalto.
José Guimarães assina termo de posse como ministro da Secretaria de Relações Institucionais ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva.

Medida, que visa atender ao arcabouço fiscal, congela verbas discricionárias e amplia poder da SRI para liberação de emendas parlamentares.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na sexta-feira, 29 de maio de 2026, o Decreto 12.990. A decisão determina o bloqueio de R$ 23,7 bilhões em despesas discricionárias do orçamento federal deste ano. A iniciativa é uma exigência do arcabouço fiscal, a regra que limita o crescimento dos gastos públicos, e impacta diretamente a capacidade de investimento e custeio de quase todos os ministérios.

Este contingenciamento se soma a outros bloqueios já anunciados. Na semana anterior à assinatura do decreto, o governo já havia bloqueado R$ 22,1 bilhões. Em março, um primeiro bloqueio de R$ 1,6 bilhão já havia sido realizado, totalizando um aperto significativo nas contas públicas.

As verbas contingenciadas pelo decreto desta sexta-feira (29.mai) referem-se a despesas discricionárias, aquelas sobre as quais o governo detém liberdade de execução. Incluem investimentos em obras, custeio de programas e contratos de serviços. São distintas das despesas obrigatórias, como aposentadorias, salários de servidores e benefícios sociais, que não podem ser modificadas sem alteração legislativa, assegurando a proteção da dignidade de beneficiários.

Seis ministérios concentram a maior parte do corte, totalizando quase R$ 16 bilhões, o que representa aproximadamente 68% do valor total bloqueado. Os maiores impactos setoriais são:

O decreto atualiza a programação orçamentária previamente estabelecida em fevereiro, reajustando os limites de empenho e pagamento para os órgãos federais nos próximos meses. Essa medida visa manter a trajetória fiscal em conformidade com as metas estabelecidas.

Meta fiscal sob pressão

O governo federal estabeleceu como meta um déficit primário de R$ 60,3 bilhões para 2026, um valor dentro do piso estipulado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). No entanto, a margem para ajustes é considerada estreita. A suficiência em relação ao centro da meta é negativa em R$ 30,2 bilhões, conforme o próprio decreto indica, exigindo um esforço adicional de aproximadamente R$ 30 bilhões ao longo do ano para ser integralmente cumprida.

A aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso em dezembro de 2025 previa um superávit de R$ 34,5 bilhões. Contudo, projeções de mercado já antecipavam um déficit de R$ 72,4 bilhões, evidenciando o desafio fiscal.

O Congresso na equação orçamentária

O novo decreto introduz alterações nas regras internas de execução orçamentária, conferindo à Secretaria de Relações Institucionais (SRI) maior flexibilidade na liberação de emendas parlamentares. Essa concessão ao Centrão visa manter o diálogo e a articulação política com o Legislativo, mesmo em um cenário de contenção de gastos.

A SRI poderá autorizar o aumento dos valores para pagamento de emendas, desde que haja uma redução equivalente em outras rubricas orçamentárias. Essa manobra permite ao governo preservar canais de negociação com parlamentares, assegurando a governabilidade sem comprometer a meta fiscal global. As emendas parlamentares representam cerca de R$ 61 bilhões no orçamento de 2026, divididas entre individuais impositivas, de bancada estadual e de comissão.

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