DECISÃO INESPERADA
Lula anuncia participação no G7 após tarifas dos EUA para defender multilateralismo
Presidente Lula irá à cúpula na França para defender organismos multilaterais e diálogo global, em resposta a novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Donald Trump também confirmou presença.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará da cúpula do G7, realizada na França, em meio a tensões diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 03/06/2026, durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, ocorre dias após o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Inicialmente, a participação de Lula no encontro não estava prevista, mas o cenário internacional e o que o presidente considera um enfraquecimento das instituições multilaterais motivaram a mudança.
"Eu nem ia no G7, agora eu vou. Nem ia, mas agora eu vou no G7", declarou o presidente. Lula justificou a sua ida como uma necessidade de "colocar na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições".
O chefe do Executivo também informou que enviará uma nova carta ao presidente Trump. O documento terá o objetivo de refutar os argumentos utilizados por membros do governo norte-americano para justificar as tarifas impostas aos produtos brasileiros. "Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos o seu deputado escreveu na imprensa americana e na imprensa mundial. Para mostrar que eles estão errados. Que eles estão equivocados", afirmou.
G7 e Relação com os EUA
O presidente Lula reiterou a defesa do fortalecimento da ONU (Organização das Nações Unidas) e da ampliação da representatividade do Conselho de Segurança. A cúpula do G7, que reunirá líderes das principais economias desenvolvidas do mundo, é vista pelo Planalto como uma oportunidade crucial para retomar o diálogo com os Estados Unidos após a decisão da Casa Branca de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros.
Embora o Brasil não seja membro do grupo, o convite partiu do presidente francês, Emmanuel Macron. A confirmação da presença de Donald Trump no encontro também pode abrir espaço para uma nova conversa entre os chefes de Estado, visando amenizar as divergências comerciais.
Representantes dos governos brasileiro e norte-americano têm um encontro agendado para os próximos dias em Paris, durante um evento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O chanceler Mauro Vieira participará da ocasião, ao lado do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
Reunião Ministerial
Durante a reunião ministerial, realizada nesta quarta-feira, 03/06/2026, Lula expressou a intenção de usar a viagem para defender a cooperação internacional e criticar iniciativas que, em sua visão, enfraquecem os mecanismos multilaterais forjados após a Segunda Guerra Mundial. "Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU", declarou.
A reunião ampliada, a primeira realizada por Lula após mudanças na articulação política do governo e o agravamento da tensão comercial com os Estados Unidos, também serviu para que o presidente cobrasse dos ministros maior coordenação e agilidade na execução de programas e projetos. Lula determinou que inaugurações e anúncios sejam centralizados pela Casa Civil e lamentou a falta de comunicação entre os ministérios e o Palácio do Planalto. "É importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho", disse, reforçando a necessidade de maior alinhamento entre os integrantes da Esplanada e de evitar que informações importantes cheguem ao governo "pelos jornais".
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