ATAQUE POLÊMICO NA CÂMARA

Lindbergh Farias acusa Flávio Bolsonaro de ser "lacaio de Trump" após discurso nos EUA

Foto do deputado federal Lindbergh Farias.
O deputado federal Lindbergh Farias (RJ).

Deputado do PT-RJ critica senador do PL-RJ em redes sociais e alega interesse eleitoral em sua participação em audiência sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como "lacaio de Trump" em resposta ao discurso proferido pelo colega durante uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, nesta terça-feira, 7 de julho de 2026. A declaração, feita em publicações nas redes sociais, sugere que a participação de Flávio Bolsonaro no evento visava interesses eleitorais e buscava dissociá-lo de posições anteriores em apoio a Donald Trump.

Segundo Lindbergh Farias, Flávio Bolsonaro não compareceu à audiência para defender os interesses do Brasil frente à tarifa comercial de 25% imposta pelos EUA a produtos brasileiros. Em vez disso, o deputado alega que o senador tentou "apagar as próprias digitais", minimizando sua aprovação anterior à "tarifaço" e solicitando apenas um adiamento. "Depois da eleição, pelo visto, o Brasil que se vire", criticou o parlamentar.

A crítica do deputado se estendeu à estratégia de Flávio Bolsonaro de usar a defesa do Pix como argumento para promover uma agenda de mercado, conforme apresentado ao USTR. Além disso, Lindbergh Farias acusou o senador de omitir sua conexão com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e com o financiamento do filme "Dark Horse". O parlamentar ressaltou que a empresa associada à financiadora do filme foi apontada pelos EUA por lavagem de dinheiro para o PCC, organização classificada como terrorista pelo país. "Lacaio de Trump e do crime organizado!", concluiu Lindbergh.

O discurso de Flávio Bolsonaro na audiência no USTR, ocorrida em 7 de julho de 2026, focou na argumentação de que a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seria prejudicial neste momento, fortalecendo politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador declarou que impor a tarifa agora, premiando responsáveis pelas ações e punindo quem suportou as consequências, seria "o pior momento possível para agir". Este mesmo ponto já havia sido levado ao USTR em documento anterior. O governo Lula enviou apenas observadores para o evento.

Em sua apresentação, Flávio Bolsonaro também abordou investigações de corrupção e fraudes no Brasil, mencionando o caso do Banco Master. Contudo, não detalhou sua relação com Daniel Vorcaro, a quem teria solicitado recursos para o filme "Dark Horse". Conforme revelado pelo Intercept Brasil, as negociações teriam ocorrido entre 2024 e a véspera da primeira prisão do banqueiro em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, e envolveriam um patrocínio de R$ 61 milhões.

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