INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA INTERNACIONAL

Lindbergh aciona Interpol para apurar recursos do filme "Dark Horse"

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) em uma sessão na Câmara dos Deputados.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) durante sessão deliberativa extraordinária no Plenário da Câmara na 3ª feira (9.dez.2025)

Deputado Lindbergh Farias solicita cooperação de EUA, Holanda e Hungria para rastrear origem de verbas destinadas à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) formalizou, na segunda-feira, 01/06/2026, um pedido à Polícia Federal e à Interpol para investigar a origem e a movimentação de recursos do filme "Dark Horse", cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O congressista solicitou cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos, da Holanda e da Hungria para rastrear as verbas, com o objetivo de garantir a transparência e identificar potenciais ocultações de financiadores.

A iniciativa do deputado foi impulsionada por reportagens que evidenciaram o envolvimento de empresas estrangeiras e mecanismos financeiros internacionais na produção do longa-metragem. Documentos divulgados pela Agência Pública sugerem que Eduardo Bolsonaro foi descrito como "financiador" do projeto e relataram uma tentativa de contratação de uma estrutura de custódia para movimentar recursos destinados à obra, o que levanta preocupações sobre a origem e a legalidade dessas verbas.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) durante sessão deliberativa extraordinária no Plenário da Câmara na 3ª feira (9.dez.2025)

Em maio de 2026, Lindbergh solicitou às autoridades policiais brasileiras e internacionais a preservação de registros financeiros cruciais relacionados ao projeto cinematográfico. O parlamentar citou informações sobre uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil dirigida à empresa New Path Pictures Inc., com sede na Califórnia, nos Estados Unidos. Essa transação teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, organização registrada na Holanda.

O deputado Lindbergh Farias ressalta que os indícios apontam para uma possível "arquitetura transnacional de movimentação de recursos" envolvendo os quatro países mencionados. Ele afirma que os envolvidos buscavam uma estrutura que garantisse o anonimato dos investidores, o que afeta diretamente a dignidade do processo democrático e a prestação de contas à sociedade.

Foto do deputado Lindbergh Farias

Adicionalmente, o parlamentar trouxe à tona informações sobre o empresário Daniel Vorcaro, que estaria ligado ao financiamento do filme. Notícias indicaram que mensagens sugerem a atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio de recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para os Estados Unidos, o que contradiz declarações públicas sobre seu papel.

Próximos Passos da Investigação

O deputado Lindbergh Farias requer que a Polícia Federal ative os canais de cooperação da Interpol para obter informações detalhadas sobre empresas e indivíduos citados nas reportagens. Ele também pede a avaliação do uso da ferramenta internacional Silver Notice para localizar ativos e dados financeiros relevantes. A preservação de contratos, ordens de pagamento, comunicações comerciais, registros contábeis e outros documentos relacionados às operações investigadas é fundamental para a apuração.

Lindbergh Farias enfatiza a necessidade de "seguir o caminho do dinheiro" para desvendar a "origem real dos valores" e verificar eventual ocultação de financiadores. Ele argumenta que medidas urgentes são indispensáveis para evitar o "apagamento de registros", o "encerramento de contas" e a "destruição de documentos eletrônicos", protegendo assim a integridade da investigação.

O parlamentar destaca a aparente contradição entre as mensagens que apontam a atuação de Eduardo Bolsonaro e suas declarações públicas, onde ele teria apenas cedido direitos de imagem. A utilização de empresas, fundações, contratos privados e estruturas de custódia em múltiplos países exige uma apuração rigorosa sobre a origem e o destino dos recursos investidos no projeto audiovisual, um direito da sociedade à informação e à fiscalização.

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