CUSTOS ELEVADOS NO SETOR
Latam reduz oferta de voos em junho e julho após alta do combustível, informa CEO
A companhia aérea ajustará sua capacidade em cerca de 3% em julho. Decisão visa mitigar impacto da elevação dos preços do querosene de aviação, cenário que afeta também empresas internacionais.
A Latam Brasil implementará uma redução de aproximadamente 3% em sua oferta de voos no mês de julho em comparação ao planejado inicialmente. A decisão, comunicada pelo presidente-executivo da companhia, Jerome Cadier, nesta segunda-feira, 08/06/2026, é uma resposta direta ao aumento expressivo dos custos com combustível. A alta é parcialmente atribuída ao conflito no Irã, conforme relatado pelo executivo durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo, realizada no Rio de Janeiro.
Este ajuste segue uma medida similar já adotada em junho e, segundo Cadier, a tendência é que a contenção da capacidade se estenda por todo o terceiro trimestre. Apesar da redução no ritmo de expansão, a Latam mantém a previsão de crescimento em relação ao ano de 2025. A expectativa inicial de ampliar a capacidade em 11% foi revista, mas a companhia projeta um avanço, ainda que mais moderado que o planejado.
Em um cenário de incertezas e custos operacionais elevados, a preservação de caixa se torna uma prioridade estratégica. O presidente-executivo da Latam, John Rodgerson, reforçou que grandes empresas do setor aéreo global estão reavaliando suas capacidades para melhor se adequarem à demanda e aos novos patamares de custo. A Azul também sinalizou que seguirá essa linha, intensificando cortes à medida que o conflito se prolonga.
A disparada do querosene de aviação (QAV) representa um desafio significativo para as companhias aéreas. No fim de maio, o governo federal renovou subsídios para o insumo, que responde por cerca de 45% do custo operacional das empresas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). No primeiro dia de junho, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do QAV para distribuidoras, um alívio pontual frente ao aumento acumulado.
O impacto da alta do combustível não se restringe ao Brasil. Companhias aéreas europeias e asiáticas já começaram a repassar o aumento para as tarifas e a reduzir frequências de voos. A SAS, companhia escandinava, cancelou centenas de voos em março e implementou um aumento temporário nas tarifas. Gigantes como Air France-KLM e Lufthansa também sentem a pressão nos custos, com efeitos começando a se refletir nas passagens, mesmo com o auxílio de contratos de hedge.
Nos Estados Unidos, os gastos com combustível das companhias aéreas apresentaram um aumento de 78% em abril, comparado ao mesmo mês do ano anterior, atingindo quase US$ 6,5 bilhões. Essa elevação é diretamente ligada à escalada dos preços do combustível em meio ao conflito no Oriente Médio.
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