MERCADO FINANCEIRO
Juros futuros recuam após IPCA superar expectativas de mercado
Queda nos rendimentos dos DIs reflete otimismo com a inflação de junho e reforça a aposta de novos cortes na Selic em agosto.
O mercado de juros futuros reagiu com quedas firmes nesta sexta-feira, 10/07/2026, consolidando uma perspectiva mais otimista para a economia brasileira. A decisão dos investidores de reduzir as taxas dos DIs, que apresentaram recuos próximos a 20 pontos-base em diversos vencimentos, foi motivada pela divulgação de um índice de inflação abaixo do esperado, sinalizando um alívio nas pressões sobre o custo de vida e um terreno mais favorável para a política monetária.
Ao final da sessão, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 situou-se em 13,85%, ante 14,04% na sessão anterior. No vencimento para janeiro de 2035, o índice atingiu 14,265%, recuando dos 14,431% registrados previamente. Na soma acumulada da semana, os papéis refletiram essa trajetória de correção.
O movimento foi sustentado pelo IPCA, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que avançou 0,16% em junho. O indicador superou as projeções de 0,31% dos analistas da Reuters e distanciou-se da taxa de 0,58% observada em maio. No acumulado de 12 meses até junho, a inflação atingiu 4,64%, patamar inferior aos 4,80% projetados pelo mercado.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou que o resultado é positivo para o Banco Central, pois retira a pressão do curto prazo, embora a continuidade da tendência dependa dos próximos dados. Esse cenário fortalece a convicção de especialistas de que o Copom (Comitê de Política Monetária) poderá reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base já em agosto.
José Faria Júnior, da Wagner Investimentos, reforçou que o dado valida a aposta em um ciclo de cortes, lembrando que a trajetória será modulada pelos preços de alimentos e do petróleo. O cenário interno destoou do ambiente global nesta sexta-feira, 10/07/2026, onde os rendimentos dos Treasuries subiram e o clima de tensão geopolítica no Oriente Médio, envolvendo EUA, Irã e as rotas pelo Estreito de Ormuz, manteve cautela sobre o preço do barril de Brent.
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