MÃE, JUÍZA, EQUILÍBRIO
Juíza Fátima Soares: a delicada balança entre magistratura e maternidade no RN
Magistrada potiguar com 32 anos de carreira, 17 em Varas de Família, compartilha os desafios de conciliar a toga com a criação dos filhos e a constante busca por um Judiciário mais humano e empático.
A juíza Fátima Soares, nome de peso com 32 anos de magistratura no Rio Grande do Norte, sendo 17 deles dedicados às complexas Varas de Família, compartilha sua jornada de vida sobre como equilibra a exigente carreira com a maternidade. As reflexões, publicadas nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, revelam os dilemas emocionais e práticos de quem lida com a dignidade humana no tribunal e, ao mesmo tempo, constrói sua própria família, destacando a importância de um sistema de justiça mais humano e empático para a sociedade.
A rotina da mãe moderna, especialmente quando a profissão envolve julgar situações delicadas como violência doméstica, ações de guarda, alimentos, visitas e dissolução conjugal, exige muitos compromissos. Conciliar todos esses papéis pode parecer uma missão impossível, mas a juíza Fátima Soares demonstra que é possível viver ambas as funções com dedicação, equilíbrio e amor. Sua experiência na Vara de Família, na Comarca de Natal, uma área extremamente sensível, exige não apenas conhecimento jurídico, mas também escuta atenta e sensibilidade social.
“A magistratura exige firmeza; a maternidade, acolhimento. Aprendi que é possível exercer ambas com harmonia”, revela Fátima Soares. Ela sempre incentivou os filhos a buscarem independência e a realizarem-se profissionalmente, sem imposições. O primogênito, Isaac, seguiu a carreira da mãe, atuando como Juiz de Direito em Goiás e Sergipe, e atualmente é titular da 3ª Vara em Caicó.
Já o filho do meio, Felipe, trilhou os passos do pai e do avô materno, tornando-se bacharel em Contabilidade e atuando como empresário no ramo de medicamentos. A caçula, Sara Isabella, é bacharel em Publicidade e Gastronomia, e Especialista em Gestão de Empresas e Negócios pela USP/SP, hoje empresária em consultoria internacional. Cada um encontrou sua própria vocação, conforme o desejo da magistrada.
Para Fátima, a administração do tempo nunca foi simples. “A magistratura exige muito, especialmente em Varas de Família, onde lidamos, diariamente, com conflitos emocionais intensos. Procurei, contudo, estabelecer prioridades, reservar momentos de qualidade para a família e compreender que presença afetiva muitas vezes vale mais que quantidade de tempo. Organização, apoio familiar e equilíbrio emocional foram fundamentais”, relata a juíza.
Desafios da carreira
Diante das nuances de conciliar o papel de mãe com a carreira no Poder Judiciário potiguar, a juíza Fátima Soares destaca não só a responsabilidade, mas também a sensibilidade e as exigências peculiares. As Varas de Família enfrentam hoje conflitos complexos, relações familiares fragilizadas e profundas desigualdades econômicas e emocionais.
Segundo a magistrada, as mulheres ainda enfrentam dificuldades significativas, especialmente em questões de sobrecarga materna, violência psicológica, dependência financeira e descumprimento de obrigações alimentares. Para ela, o grande desafio do Judiciário é assegurar proteção integral sem perder de vista a imparcialidade e o melhor interesse das crianças e adolescentes.
Situações de ocultação patrimonial e inadimplência alimentar, infelizmente, são frequentes. Fátima observa que tais condutas muitas vezes ultrapassam a questão financeira, funcionando como formas de manutenção de poder, controle emocional ou retaliação. “O Judiciário tem buscado mecanismos mais eficazes para coibir essas práticas e garantir a efetividade das decisões”, afirma.
Outro tema delicado é a alienação parental. A magistrada adverte para a importância de evitar generalizações: “Existem situações reais de alienação parental, assim como também há casos em que alegações são utilizadas de forma estratégica em disputas familiares. Por isso, o magistrado precisa atuar com extrema cautela, ouvindo equipes interdisciplinares, analisando provas e priorizando sempre a proteção integral da criança e do adolescente”.
A revitimização de mulheres nos tribunais, onde estereótipos de gênero influenciam decisões, é uma preocupação legítima. Fátima Soares reconhece essa realidade e destaca a evolução do Poder Judiciário brasileiro no debate, com maior conscientização. Contudo, aponta a necessidade de permanente capacitação e sensibilidade institucional. Para a juíza, diante de movimentos contemporâneos que reforçam a intolerância, o caminho mais saudável é o diálogo, o respeito mútuo e a construção de relações baseadas na dignidade humana e na igualdade de direitos.
Frequentemente, mulheres com medidas protetivas também buscam no Juízo de Família soluções para os filhos e a reorganização familiar. Essa realidade presente em diversos estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Norte, demonstra como violência doméstica e conflitos familiares caminham interligados, exigindo uma atuação articulada e humanizada do sistema de justiça.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário