OBRA DE INFRAESTRUTURA EM FOCO

Jornalista paraibano relata interrupção de água no Ramal do Apodi e ameaças após denúncias

Jornalista paraibano Nilvan Ferreira em frente a uma obra de infraestrutura.
Jornalista Nilvan Ferreira alega que fluxo de água foi interrompido após inauguração presidencial do Ramal do Apodi.

Jornalista Nilvan Ferreira alega que fluxo de água foi interrompido após inauguração presidencial e diz ter recebido ameaças de agressão física.

O jornalista e radialista paraibano Nilvan Ferreira levantou sérias preocupações sobre o abastecimento de água no Ramal do Apodi, no Rio Grande do Norte. Ele afirma que o fluxo de água foi interrompido logo após a cerimônia de inauguração, realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ferreira também relatou ter recebido ameaças de agressão física após divulgar suas denúncias, o que levanta questões sobre a liberdade de expressão e a segurança de quem fiscaliza obras públicas.

Segundo Nilvan Ferreira, as comportas responsáveis pelo abastecimento do trecho inaugurado teriam sido fechadas pouco tempo depois da presença do presidente. Essa ação, na visão do jornalista, evidencia que a obra ainda não estaria em condições plenas de funcionamento e que o abastecimento teria sido apenas uma encenação para a solenidade.

Em vídeos divulgados, o comunicador mostrou trechos do canal sem água, sustentando que o fluxo ocorreu somente durante a visita presidencial. "Desligaram as comportas da transposição e a água foi embora. A obra não estava pronta. Vocês fizeram gambiarra com contêiner, fizeram gambiarra com ponte, um espetáculo cinematográfico para Lula fazer propaganda", declarou, criticando o que chamou de "ligaram a água somente para a imagem da televisão e das redes sociais. Quando Lula foi embora, fecharam as torneiras e ficou o povo lambendo o dedo."

As declarações de Nilvan Ferreira ecoam críticas já apresentadas por setores da oposição ao governo federal, que questionam a utilização de estruturas provisórias e adaptações temporárias durante a cerimônia de inauguração do Ramal do Apodi, levantando dúvidas sobre a real conclusão e funcionalidade da obra.

Ameaças após denúncias

Em um desdobramento preocupante das denúncias, Nilvan Ferreira afirmou em outro vídeo ter passado a receber ameaças após a repercussão de suas reportagens sobre o Ramal do Apodi. Ele identificou um homem, pré-candidato a deputado federal pelo PSB da Paraíba, como o autor de um vídeo com ofensas e ameaças de agressão física. "Mês que vem eu estou indo à Paraíba atrás desse pilantra. Vou dar uma pisa nesse cara", declarou o homem na gravação exibida por Ferreira.

O jornalista paraibano reagiu às ameaças declarando sua intenção de buscar medidas judiciais. "Você vai responder na Justiça porque seu vídeo é uma confissão de um crime de ameaça", afirmou, demonstrando que não se intimidará em continuar a divulgar conteúdos sobre o andamento da obra e a expor o que considera irregularidades. "A narrativa morre quando a verdade chega. Enquanto tiver gente com coragem para mostrar, essa história não vai ficar da forma que vocês querem."

Posicionamento oficial

Até a publicação desta reportagem, em 07 de julho de 2026, o governo federal e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não haviam se manifestado publicamente sobre as novas declarações de Nilvan Ferreira, nem sobre a alegação de interrupção do fluxo de água após a cerimônia. Da mesma forma, o pré-candidato citado por Nilvan em relação às ameaças não apresentou um posicionamento público.

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