DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Investimentos de R$ 25 bilhões no RN geram debate sobre riqueza para todos
Projetos de eólica e Hidrogênio Verde impulsionam PIB e empregos; Via Costeira é pauta na Assembleia.
O Rio Grande do Norte reafirma sua posição como líder absoluto na transição energética brasileira, com investimentos bilionários em projetos eólicos e de Hidrogênio Verde que solidificam o estado como a "BATERIA DO BRASIL". Em meio a este cenário de prosperidade e projeção para 2026, uma audiência pública realizada nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, pela Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa, acendeu o debate sobre como garantir que essa riqueza se traduza em benefícios diretos para a população potiguar e impulsionar novos olhares sobre o desenvolvimento, incluindo o futuro da Via Costeira.
Rio Grande do Norte: A BATERIA DO BRASIL
O Rio Grande do Norte consolidou-se como o protagonista absoluto da transição energética nacional. Em 2026, o estado não apenas ostenta o título de maior produtor de energia eólica do país, mas funciona como uma verdadeira "bateria", injetando confiabilidade e sustentabilidade no Sistema Interligado Nacional (SIN).
A pujança desse setor é medida em bilhões. Atualmente, o RN possui uma capacidade instalada que ultrapassa os 10 GW de fonte eólica, representando cerca de 32% da geração nacional. O avanço, contudo, acelera com dois eixos distintos e complementares: o Polo Areia Branca e o Projeto Alto dos Ventos. O Polo Areia Branca recebe investimentos de R$ 12 bilhões, com foco na produção de Hidrogênio Verde (H2V) e amônia, destacando-se como uma usina tecnológica de combustíveis do futuro. Já o Projeto Alto dos Ventos, um gigante que se estende pelos municípios de Macau, Pendências, Guamaré e Galinhos, prevê um aporte de R$ 13 bilhões. As licenças ambientais para esta iniciativa estão em fase de expedição pelo Idema, revelando sua estratégia ao converter uma região de infraestrutura histórica, ligada ao petróleo e sal, para a economia de baixo carbono.
Para escoar toda essa potência gerada em Areia Branca e no complexo Alto dos Ventos para o mercado global, o governo avança com o Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte. Este porto será o elo logístico essencial, dotado de calado natural para receber grandes navios e servir de base para a futura eólica offshore.
Os números impressionam e demonstram o impacto real: o setor já sustenta mais de 13,5 mil empregos e impulsiona o PIB das cidades hospedeiras a crescer a taxas de 70%. Contudo, o grande desafio é: com R$ 25 bilhões em investimentos somados apenas entre esses dois grandes eixos (Areia Branca e Alto dos Ventos), como o Rio Grande do Norte pode assegurar que essa "bateria" também alimente o bolso do cidadão potiguar? O vento é a nova commodity, mas a riqueza precisa ser, definitivamente, a nova realidade para todos. Resta saber o que os pretensos candidatos ao governo estadual nas próximas eleições pensam sobre o assunto e que planos têm para o Rio Grande do Norte.
Futuro da Via Costeira em Debate na Assembleia
A Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa realizou, nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, uma audiência pública crucial para discutir a utilização dos terrenos da Via Costeira, em Natal. A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Luiz Eduardo (PL), visa aprofundar as discussões sobre um tema de grande importância para o desenvolvimento do estado.
Luiz Eduardo ressaltou a necessidade de transparência e a contribuição de diversos órgãos para avaliar o impacto das futuras obras e o desenvolvimento socioeconômico e turístico do Rio Grande do Norte. As recentes mudanças no Plano Diretor de Natal, juntamente com as adequações na legislação estadual, abriram novas possibilidades de investimentos para o setor turístico na Via Costeira, buscando replicar o sucesso observado em outras capitais nordestinas.
Thiago Mesquita, secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, presente na audiência, defendeu um novo olhar sobre a Via Costeira. Ele advogou pela superação de uma visão meramente restritiva, focada apenas na proteção, em favor de um modelo que combine preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. "Se conseguirmos garantir sustentação costeira, bons projetos e permitir o desenvolvimento, estamos aplicando o princípio da sustentabilidade", afirmou o secretário.
Thales Dantas, diretor-técnico do IDEMA, também participou e recordou que a própria concepção da Via Costeira já previa a integração entre turismo e preservação ambiental, salientando o papel do Parque das Dunas como patrimônio estratégico para a cidade. Edmar Gadelha, da ABIH-RN, representante do setor hoteleiro, reforçou o interesse em novos empreendimentos, desde que "respeitado o arcabouço legal", classificando a Via Costeira como "um ativo riquíssimo e fundamental para o turismo do estado".
O procurador-geral do estado, Antenor Roberto, apesar de não se aprofundar nas polêmicas legais, avaliou que o momento é de reorganização. Ele pontuou que "Não há um único responsável. O problema é histórico e exige solução construída coletivamente".
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