DIRECIONAMENTO DE RECURSOS

Investigação da PF revela influência de Eduardo Cunha em emendas de Minas Gerais

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Eduardo Cunha em registro durante seu mandato como presidente da Câmara dos Deputados.

Diálogos interceptados mostram ex-deputado coordenando o remanejamento de verbas públicas em Minas Gerais mesmo sem exercer mandato parlamentar.

A Polícia Federal interceptou diálogos que sugerem a atuação direta de Eduardo Cunha (Republicanos) na definição e no remanejamento de verbas federais destinadas a municípios de Minas Gerais. O caso, que detalha o suposto controle do ex-deputado sobre emendas parlamentares, ganhou novos contornos nesta domingo, 12/07/2026, com a divulgação de documentos que compõem uma investigação sobre o direcionamento irregular de recursos públicos.

As mensagens, trocadas com a servidora Mariângela Fialek, identificada nos autos como Tuca, revelam a frustração de Eduardo Cunha com gestores locais. Em um dos episódios, o ex-presidente da Câmara reclama da resistência de prefeitos em Governador Valadares e ordena a substituição do destino da verba, tratando a gestão pública como uma articulação política pessoal.

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Eduardo Cunha, fundamenta-se na análise desses diálogos. A investigação aponta que, mesmo após sua cassação em 2016, Eduardo Cunha exercia influência sobre o remanejamento de emendas da Comissão de Saúde da Câmara, tratando os valores como uma espécie de cota informal sob seu comando.

O material interceptado, incluindo menções a cidades como Manhuaçu, Matias Barbosa, Pedrinopolis e a articulação junto a nomes como Gilberto Abramo e João Magalhães, detalha a logística de troca de municípios. Em 12 de setembro de 2025 e 15 de setembro de 2025, os diálogos mostram a servidora Mariângela Fialek operando as mudanças conforme as orientações recebidas de Eduardo Cunha.

A defesa de Eduardo Cunha sustenta que as emendas citadas seguiram os trâmites oficiais e foram indicadas por parlamentares ou bancadas legitimadas. A equipe jurídica informou que contestará a decisão do Supremo Tribunal Federal, classificando as alegações de irregularidade como improcedentes.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário