ATIVIDADE INDUSTRIAL CAI

Indústria do RN desacelera em abril, mas empresários mantêm expectativa de crescimento

Gráfico ou imagem representativa da atividade industrial no Rio Grande do Norte.
A atividade industrial do Rio Grande do Norte registrou desaceleração em abril de 2026.

Produção e emprego recuam no Rio Grande do Norte em abril de 2026, mas projeções apontam recuperação e expansão nos próximos meses.

A atividade industrial do Rio Grande do Norte desacelerou em abril de 2026, apresentando queda na produção e no emprego, além de uma redução na utilização da capacidade instalada. Apesar do desempenho mais fraco no período, empresários do setor mantêm expectativas positivas para os próximos meses, projetando aumento da demanda, das exportações e dos investimentos.

Os dados são da Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação do Rio Grande do Norte, realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa, conduzida entre 4 e 13 de maio de 2026, reflete a situação de abril e as projeções para os próximos seis meses.

A atividade industrial do Rio Grande do Norte registrou desaceleração em abril de 2026.

A produção industrial potiguar caiu na passagem de março para abril, um movimento habitual para o período. O indicador de evolução da produção recuou 20 pontos, de 60,6 para 40,6. Esse resultado, inferior à linha divisória de 50 pontos, sinaliza retração da atividade produtiva em relação ao mês anterior. Na comparação com abril de 2025, o indicador também apresentou redução, caindo de 45,0 para 40,6 pontos, uma queda de 4,4 pontos.

O enfraquecimento da atividade foi acompanhado pela redução do quadro de pessoal. O indicador de evolução do número de empregados ficou em 48,1 pontos, abaixo da marca de 50 pontos, indicando retração na comparação mensal. Outro sinal de desaceleração veio da Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que caiu de 78% para 76%, uma redução de dois pontos percentuais.

Os estoques de produtos finais também apresentaram recuo, com o indicador em 42,7 pontos, mostrando redução frente ao mês anterior. Além disso, o nível de estoques permaneceu abaixo do planejado pelas empresas, evidenciado pelo indicador de estoque efetivo em relação ao usual, que atingiu 46,9 pontos.

A análise por porte empresarial revela comportamentos distintos. Nas pequenas empresas, a produção e o emprego permaneceram estáveis em abril, com o indicador de produção em 50 pontos. Já entre as médias e grandes empresas, o movimento foi mais intenso, com o indicador de produção recuando para 37,5 pontos (ante 60 pontos) e redução no quadro de trabalhadores. Pequenas indústrias apontaram estoques abaixo do planejado, enquanto médias e grandes indicaram níveis próximos ao programado.

Apesar da retração observada em abril, as expectativas para os próximos seis meses seguem favoráveis. Empresários consultados projetam crescimento da demanda (54,7 pontos), aumento nas compras de matérias-primas (55,7 pontos) e expansão nas exportações (56,3 pontos). A perspectiva para o emprego também permanece positiva, com o índice de expectativa para o número de trabalhadores chegando a 53,8 pontos, sinalizando intenção de ampliar os quadros.

O indicador de intenção de investimento reforça esse cenário otimista. Em maio, o índice avançou de 70,7 para 72,8 pontos, ampliando o nível de confiança empresarial em relação a novos aportes produtivos. No entanto, as pequenas indústrias projetam queda da demanda e estabilidade no emprego e nas compras, enquanto médias e grandes empresas esperam crescimento simultâneo desses indicadores.

Os resultados do Rio Grande do Norte convergem com os dados nacionais divulgados pela CNI em 22 de maio, que também apontaram comportamento semelhante para produção e expectativas. A principal diferença reside na intenção de investimento: no cenário nacional, o indicador registrou a primeira alta do ano (54,8 pontos), enquanto no Rio Grande do Norte, ele já se encontra em patamar significativamente superior. O levantamento indica que, apesar da retração de abril, o setor industrial potiguar mantém perspectivas favoráveis para o segundo semestre.

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