ALERTA NA SAÚDE
Hospital Walfredo Gurgel reduz atendimento em meio a aumento de queimados e obra parada
Unidade de referência para queimados opera com 12 leitos, menos da metade da capacidade, e tem reformas suspensas há quase dois anos. Demanda por internações dobrou.
O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, enfrenta uma crise silenciosa com a redução de sua capacidade de atendimento em um momento crítico: o número de internações por queimaduras no Rio Grande do Norte dobrou em seis meses, e a unidade, referência estadual, opera com uma estrutura limitada devido a uma obra de reforma paralisada há quase dois anos.
A decisão de operar com apenas 12 leitos, de um total de 20, foi tomada para acomodar as intervenções, mas a paralisação quase total do avanço da reforma, iniciada em agosto de 2024 com um contrato de R$ 1,2 milhão, compromete a capacidade de resposta do hospital. A situação é preocupante, especialmente com a proximidade dos festejos juninos, período historicamente marcado pelo aumento de acidentes com fogo e fogos de artifício.
O coordenador do CTQ, Marco Almeida, alertou para os riscos: "Se acontecer um acidente com múltiplas vítimas, é um grande problema". O hospital já registra um aumento expressivo de casos, com internações saltando de cerca de 80 para 160 nos últimos seis meses. Lamentavelmente, os óbitos relacionados a queimaduras também subiram, passando de um caso em 2024 para entre seis e oito nos primeiros meses de 2026. Essa redução na capacidade de atendimento, com goteiras, leitos desativados, déficit de profissionais, falta de insumos e alterações improvisadas, impacta diretamente a dignidade e a vida dos pacientes que necessitam de cuidados especializados.
A Secretaria Estadual de Saúde, representada por Alexandre Motta, informou que o Governo do Estado está buscando um distrato com a empresa responsável pela obra, que executou apenas cerca de 1% do planejado. O objetivo é agilizar a contratação de uma nova construtora para retomar os trabalhos, essenciais para garantir a segurança e a qualidade do atendimento à população do Rio Grande do Norte em momentos de vulnerabilidade.
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