MINISTRO DEFENDE IMPOSTO

Haddad mantém defesa da "taxa das blusinhas" e critica Tarcísio de Freitas

Fernando Haddad concede entrevista
Fernando Haddad concedeu entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5). Foto: Victor Parolin/BBC News Brasil

Fernando Haddad argumenta que comércio virtual não pode ter isenção fiscal em comparação a lojas físicas e alfineta o governador de São Paulo.

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou sua posição em defesa da "taxa das blusinhas", a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. A declaração surge em um momento delicado para a campanha de Haddad ao governo de São Paulo, demonstrando sua coerência com um tema que gerou controvérsia. Mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado a revogação da taxa criada em 2024, Haddad declarou à BBC News Brasil em 27 de maio: "Não mudei de opinião". Ele defende que "uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", ecoando o argumento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de governadores que mantiveram a cobrança do ICMS sobre essas transações.

A crítica explícita à gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), marcou a entrevista. Haddad buscou diferenciar sua proposta para o estado, focando em áreas como segurança pública e finanças. Ele citou o desempenho de Tarcísio como precário em diversas áreas, incluindo o crescimento do Estado e a situação das escolas públicas. A privatização da Sabesp e da Emae também foram pontos de ataque, com Haddad questionando a transparência e os valores das negociações.

Na esfera nacional, Haddad abordou a necessidade de um ajuste fiscal, atribuindo o rombo identificado a juros elevados e a uma situação herdada. Ele destacou que, apesar dos desafios, o governo Lula entregou um cenário fiscal mais favorável em comparação com governos anteriores. Haddad também comentou sobre a percepção popular e as dificuldades de comunicação do governo, mencionando o impacto das redes sociais e a necessidade de educação financeira para a população.

Em relação à sucessão de Lula, Haddad evitou cravar nomes, mas mencionou a possibilidade de prévias no PT como um mecanismo para fortalecer o partido e envolver a militância. Ele ressaltou a importância de o partido se abrir a novos segmentos sociais e aprender com as mudanças nas relações de trabalho e na formação de classes.

A declaração sobre a "taxa das blusinhas" foi reforçada quando Haddad questionou o motivo pelo qual nenhum órgão de imprensa se manifestou sobre o tema, nem a favor, nem contra, sugerindo um interesse oculto. Para ele, a questão fundamental é a equiparação tributária entre o comércio eletrônico e o físico. Haddad também comparou a cobrança do ICMS pelos governadores com a revogação da taxa federal, indicando que a decisão de Lula de revogar foi uma resposta à pressão, enquanto outros líderes mantiveram a cobrança de impostos estaduais.

Sobre a redução da jornada de trabalho 6x1, Haddad defendeu a negociação no Congresso Nacional, criticando a proposta de uma transição de dez anos sugerida pela oposição. Ele ressaltou que o governo tem obtido aprovações de projetos por meio de negociação e diálogo, como a reforma tributária e a desoneração da folha. A interlocução com o Congresso, apesar de desafios, é vista como reconstruível por meio da capacidade de diálogo do governo.

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