AMEAÇA À DEMOCRACIA
Grupos extremistas usavam Telegram para planejar ataques a prédios em Brasília
Investigação revela núcleos de radicalização que miravam o Palácio do Planalto e as instituições dos Três Poderes.
Autoridades de segurança desarticularam uma rede de grupos extremistas que utilizava o Telegram para recrutar integrantes, disseminar ideologias de ódio e planejar ataques diretos contra prédios públicos em Brasília. A ação foi deflagrada após o monitoramento de conversas que indicavam intenções concretas de colocar em risco a segurança do Estado.
Na última terça-feira, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados como parte da operação. O objetivo da ação foi interromper o ciclo de radicalização antes que os planos de destruição saíssem do ambiente virtual para a prática.
A estrutura de recrutamento era segmentada. Um primeiro grupo, com cerca de 600 integrantes, servia como filtro para identificar indivíduos alinhados a pautas antidemocráticas, neonazistas e misóginas. Destes, os mais radicalizados eram convidados para um segundo grupo restrito, com 46 membros, onde o planejamento de atentados ganhava contornos operacionais.
Relatórios do CyberLab, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontam que os investigados compartilhavam instruções detalhadas para a fabricação de explosivos e coquetéis molotov. Havia, inclusive, cálculos de custos e insumos para a produção de artefatos. O alvo principal das ameaças incluía o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), com os criminosos chegando a analisar plantas baixas para viabilizar invasões.
A investigação, que segue em fase de análise de equipamentos apreendidos, trata os envolvidos com alto grau de periculosidade. Os investigados responderão por associação criminosa, apologia ao nazismo e incitação ao crime. A interrupção desses planos preserva não apenas o patrimônio público, mas a integridade física de cidadãos e a estabilidade democrática do país.
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