DISPUTA NO JUDICIÁRIO

Grandes petroleiras preparam ação judicial contra renovação de imposto sobre exportação de petróleo

Plataforma de petróleo operando em alto-mar.
Instalações de extração de petróleo no Brasil.

Empresas questionam legalidade da nova taxação via Gecex; medida foi mantida por 60 dias para proteger mercado interno frente à instabilidade no Oriente Médio.

Grandes petroleiras que ATUAM CONTRA TAXA de exportação de petróleo cru preparam uma nova investida na Justiça para derrubar a renovação do imposto sobre o produto. A decisão de estender a cobrança por mais 60 dias foi formalizada na 5ª feira, 09/07/2026, pelo Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), órgão ligado ao Ministério da Indústria, sob o argumento de mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio.

A medida, que pegou o setor de surpresa, ocorre logo após a expiração de uma medida provisória que fundamentava o tributo desde março de 2026. A principal controvérsia reside na alteração do instrumento jurídico: se antes a taxa era respaldada pelo Poder Executivo via MP, agora a extensão foi realizada por via administrativa. Advogados que representam as empresas alegam que a mudança enfraquece a base legal da cobrança e reforça a tese de que o governo busca apenas aumentar a arrecadação federal, em vez de atuar sobre a regulação do mercado.

Para a sociedade e os investidores, a disputa reflete um clima de insegurança jurídica. O IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) argumenta que o tributo penaliza a competitividade brasileira e desencoraja aportes de capital externo. O setor pontua ainda que a justificativa do governo sobre a necessidade de manter o óleo no Brasil para evitar desabastecimento não se sustenta, dado que o país exporta excedentes por falta de capacidade de refino, não por escassez de matéria-prima.

Do outro lado, o governo mantém a postura cautelosa. Diante da retomada das tensões entre EUA e Irã, o Planalto defende que o imposto é um mecanismo essencial para garantir a oferta interna de combustíveis e equilibrar as contas públicas frente às subvenções concedidas. A nova ação judicial, que ainda será protocolada, deve ser o próximo capítulo de uma batalha iniciada em abril, quando uma liminar favorável ao setor foi posteriormente revertida pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).

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