Soberania em foco
Governo quer aval para mudanças no controle acionário de mineradoras
Ministro de Minas e Energia defende projeto de lei que exige aprovação estatal em empresas de minerais críticos para garantir interesses nacionais.
O governo federal busca autorização legal para analisar e vetar mudanças no controle acionário de empresas do setor de mineração, visando assegurar a soberania sobre ativos estratégicos. A proposta foi defendida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta sexta-feira, 10/07/2026, durante reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e integrantes do primeiro escalão no Planalto.
A medida integra o Projeto de Lei 2780 de 2024, que propõe a criação do Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A iniciativa busca evitar situações como a ocorrida recentemente em Goiás, onde o Estado foi surpreendido por uma transação envolvendo o controle acionário de uma mineradora, sem ter sido previamente comunicado ou consultado sobre os impactos da operação.
Defesa da soberania e controle
Conforme Silveira, a ausência de uma regulação rígida impede o poder público de avaliar se a entrada de investidores, especialmente de capital estrangeiro, compromete o interesse nacional. O projeto, que já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado, concede à União o direito de homologar alterações na estrutura societária e monitorar o acesso a dados geológicos estratégicos.
"Nós vamos poder controlar a mudança do controle acionário das empresas que porventura queiram investir no Brasil, para ver se elas são de interesse nacional ou não, garantindo a nossa soberania", ressaltou o ministro. A articulação para o avanço da matéria envolveu diretamente a Fazenda e a Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
Criação do Conselho Nacional de Política Mineral
Além do controle acionário, Silveira celebrou a criação do Conselho Nacional de Política Mineral, órgão que passará a orientar as diretrizes do setor. O ministro comparou a importância da nova estrutura à do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), destacando a necessidade de dar maior peso político à gestão das riquezas do subsolo brasileiro.
"Nós não tínhamos os mesmos instrumentos para o setor mineral. O presidente instituiu um conselho com a mesma densidade e musculatura do CNPE, podendo avançar de forma extremamente célere", afirmou Silveira durante o encontro realizado nesta sexta-feira, 10/07/2026.
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