REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

Governo Lula critica proposta de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

Ministros em reunião no Palácio do Planalto convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ministros participam de reunião ministerial no Palácio do Planalto, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira(3).

País manifesta "profunda discordância" com investigação sobre trabalho forçado e alerta para medidas de reciprocidade.

O governo federal reagiu, nesta quarta-feira, 03/06/2026, à proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas de até 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida após a conclusão de uma investigação do Escritório do Representante Comercial norte-americano sobre trabalho forçado, amparada pela Seção 301 da Lei de Comércio. O Palácio do Planalto manifestou “profunda discordância” com o resultado, classificando-o como “lamentável” por desvirtuar um tema relevante como a proteção de condições dignas de trabalho para justificar medidas protecionistas unilaterais. Em comunicado, o governo brasileiro refuta a associação da competitividade da economia nacional a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A nota destaca que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil como referência no combate ao trabalho forçado há décadas, citando a combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político como pilares dessa atuação. O comunicado também mencionou a possibilidade de adoção da Lei da Reciprocidade como resposta à medida considerada injusta. A tarifa adicional de 12,5% se soma a outra proposta, anunciada na segunda-feira, 1º de junho de 2026, que prevê a taxação de 25% de importações brasileiras por supostas práticas comerciais “irrazoáveis”. Ambas as medidas ainda serão analisadas pelo governo norte-americano, cabendo ao presidente Donald Trump a decisão final. A investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, na terça-feira, 02/06/2026, que o Brasil falhou em barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado, o que criaria concorrência desleal e justificaria a nova taxa. Ao todo, 60 países foram alvo da apuração, que buscou falhas em impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados internos. Entre as justificativas apontadas, o documento citou a presença de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, mencionando a Lista Suja do Trabalho Escravo e o fato de que 90% das exportações de carne bovina brasileira congelada em 2025 foram para países investigados, como a China. O governo brasileiro reitera sua expectativa de que as recomendações preliminares do USTR não se convertam em tarifas efetivas e afirma que adotará medidas para mitigar os danos à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. O país também informou que forneceu explicações sobre seu arcabouço legal para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado, ressaltando a competência das autoridades aduaneiras para negar a entrada e confiscar mercadorias contrárias à moral, aos bons costumes, à saúde pública ou à ordem pública. O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil colocou-se à disposição para continuar a cooperação com o Departamento de Trabalho dos EUA.

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