COMBATE AO CRIME

Governo Federal implanta Escritórios Nacionais Antifacção em São Paulo e Rio de Janeiro

Mapa do Brasil destacando São Paulo e Rio de Janeiro.
Governo Federal cria Escritórios Nacionais Antifacção em São Paulo e Rio de Janeiro.

A iniciativa, sob coordenação da Senasp, visa articular ações federais contra organizações criminosas, focando em asfixia financeira e combate ao tráfico de armas. Planos para expansão regional já estão em andamento.

O governo federal estabeleceu a criação de dois Escritórios Nacionais Antifacção (ENA) em São Paulo e no Rio de Janeiro. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, 04/06/2026, parte da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com o objetivo de intensificar a presença da União no combate direto ao crime organizado. A iniciativa busca fortalecer a estratégia nacional contra facções criminosas, consideradas um dos maiores desafios para a segurança pública do País e que afetam a dignidade e o bem-estar da sociedade.

São Paulo e Rio de Janeiro foram escolhidos por sua relevância estratégica: ambas as cidades são berço de algumas das maiores facções criminosas do Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. A atuação dos ENA se concentrará em medidas de asfixia financeira e combate ao tráfico de armas, buscando desarticular as operações dessas organizações.

Brasília anuncia novos escritórios para o combate ao crime organizado.

A iniciativa faz parte do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado no mês anterior, que prevê investimentos de R$ 1 bilhão para equipar estruturas de segurança estaduais e R$ 10 bilhões em empréstimos via BNDES. O plano do governo federal inclui a futura expansão dos escritórios para outras regiões estratégicas: Fortaleza, Manaus e Foz de Iguaçu, buscando cobrir as regiões Centro-Oeste e Sudeste, além das demais.

A estrutura dos ENA contará com uma coordenação-geral para articulação institucional, uma coordenação de operações e inteligência para compartilhamento de informações e uma coordenação de articulação institucional para o relacionamento com órgãos de segurança pública. Policiais federais e agentes de outras forças serão cedidos para atuar nas unidades. A decisão é definitiva.

Detalhe das operações de combate ao crime organizado.

Os escritórios também darão suporte a iniciativas como o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), que visa desarticular financeiramente as organizações criminosas, e o programa Captura, voltado à prisão de criminosos de alta periculosidade. No Rio de Janeiro, o ENA apoiará ações de segurança específicas, como as orientadas pela ADPF das Favelas, buscando maior efetividade e menor letalidade policial.

A segurança pública tem sido uma área sensível para a atual gestão federal, com pesquisas indicando percepção de desempenho abaixo do esperado por parte da população. A criação dos ENA busca consolidar uma marca do Poder Executivo na área, diante de desafios como a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado e as discussões sobre a Lei Antifacção. A iniciativa também se insere no debate público sobre a classificação de facções brasileiras como organizações narcoterroristas por outros países, divergência em que o governo federal argumenta que tal denominação pode levar a interferências estrangeiras e sanções econômicas.

Estratégias para combater o crime organizado incluem a asfixia financeira.

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