DIPLOMACIA E SEGURANÇA
Governo expulsa Sergey Vladimirovich Cherkasov do Brasil após acusações de espionagem
O governo Luiz Inácio Lula da Silva determinou a expulsão do indivíduo apontado pelo FBI como agente russo, impedindo seu retorno ao território nacional por 30 anos.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a expulsão do país de Sergey Vladimirovich Cherkasov, indivíduo apontado pelo FBI como integrante do serviço de inteligência militar da Rússia, nesta segunda-feira, 06 de julho de 2026. A medida, que inclui o impedimento de retorno ao Brasil pelo prazo de 30 anos, marca um novo desdobramento nas tensões diplomáticas entre Brasil, Estados Unidos e Rússia envolvendo a soberania nacional e a integridade de documentos oficiais.
Nascido em 11 de setembro de 1985 em Kaliningrado, o envolvido cumpria pena em uma penitenciária federal em Brasília desde 2022. Originalmente condenado a 15 anos por uso de documento falso, teve sua pena reduzida para 5 anos pela Justiça brasileira. Sua trajetória sob investigação ganhou notoriedade quando foi deportado da Holanda ao tentar ingressar no país com documentos brasileiros falsos, utilizando a identidade de Victor Muller Ferreira, para realizar estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
Segundo o Serviço de Inteligência da Holanda, o acesso ao Tribunal Penal Internacional seria estratégico para a Rússia em um momento em que a Corte apura possíveis crimes de guerra cometidos na Ucrânia. O FBI (Federal Bureau of Investigation) sustenta que Sergey Vladimirovich Cherkasov operou no Brasil desde 2012, utilizando identidades brasileiras para infiltrar-se em instituições acadêmicas nos Estados Unidos, como a Universidade Johns Hopkins.
A expulsão ocorre em um contexto de pressão internacional. Enquanto a Rússia buscou a extradição sob a alegação de que ele seria um traficante de drogas, os Estados Unidos solicitaram sua entrega para responder por espionagem e fraudes financeiras. A decisão do governo brasileiro trata-se de um processo administrativo de expulsão, não de extradição, e a portaria não especifica o país de destino para onde o indivíduo será enviado.
Este caso ganha contornos de gravidade após a PF desmontar, em maio de 2025, uma rede que utilizava RGs e CPFs forjados no Brasil como plataforma para agentes estrangeiros operarem na Europa, nos Estados Unidos e no Oriente Médio, fragilizando a segurança das identidades nacionais.
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