DIPLOMACIA SOB TENSÃO

Governo dos EUA critica decisão do Brasil de expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov

Foto de Sergey Vladimirovich Cherkasov
Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado pelos EUA como espião russo.

Departamento de Estado norte-americano aponta risco à segurança coletiva; medida de expulsão de suspeito de espionagem gera ruído na relação bilateral.

O governo do presidente Donald Trump manifestou preocupação com a decisão do Brasil de expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, indivíduo apontado pelos Estados Unidos como um agente do serviço de inteligência militar da Rússia. A manifestação foi formalizada nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, pelo Departamento de Estado norte-americano, que classificou a medida como um entrave ao combate conjunto contra interferências estrangeiras.

A preocupação central de Washington reside no precedente estabelecido pela medida brasileira, que possibilita a saída do território nacional de alguém ligado a agências de espionagem russas. Para o governo norte-americano, essa decisão compromete a integridade das instituições democráticas e dificulta a responsabilização de atores que, segundo o departamento, ameaçam a segurança das nações ocidentais.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 6 de julho de 2026, determina a expulsão de Sergey Vladimirovich Cherkasov, mas condiciona a efetivação da medida ao cumprimento da pena em curso no Brasil ou à autorização expressa do Poder Judiciário. A portaria, que ainda proíbe o retorno do indivíduo ao país pelos próximos 30 anos, não especifica o destino para onde o suspeito será enviado.

O histórico de Sergey Vladimirovich Cherkasov envolve uma tentativa de infiltração no Tribunal Penal Internacional, em Haia, onde, sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, tentava um estágio na Corte que investiga crimes de guerra na Ucrânia. Detido desde 2022 em uma penitenciária federal em Brasília, o russo cumpre pena por falsidade ideológica, após ter sua condenação inicial reduzida pela Justiça brasileira.

A situação ganha contornos complexos devido à disputa diplomática entre as potências. Enquanto a Rússia solicitou a extradição sob a acusação de tráfico de drogas, os Estados Unidos buscaram a custódia do suspeito, acusando-o de atuar como agente estrangeiro e cometer fraudes financeiras após passagens pela Universidade Johns Hopkins. A PF, que desmantelou uma rede de espionagem utilizando RGs e CPFs falsos em maio de 2025, mantém o foco sobre a utilização do Brasil como base logística para agentes internacionais na Europa e nos Estados Unidos.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário