CAIXA APERTADA

Governo do RN pede adiamento de pagamento de dívida de R$ 80 milhões e tenta evitar bloqueio de recursos

Fachada do Palácio República dos Palmares, em Rio Grande do Norte.
Palácio República dos Palmares, sede do governo em Rio Grande do Norte.

Estado busca adiar execução de contragarantia de empréstimo com Banco Mundial para outubro, argumentando que retenção imediata afetaria serviços públicos essenciais. O pedido visa preservar fluxo de caixa e continuidade de áreas como saúde e educação.

{"blocks":[{"key":"12345","text":"A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, solicitou ao Ministério da Fazenda o adiamento do pagamento de uma parcela de R$ 80 milhões, referente a um empréstimo junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O vencimento original foi em 15 de junho de 2026, e a União, que atuou como garantidora, quitou o valor. Em decorrência desse atraso, o Tesouro Nacional tem o direito de reter recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) para cobrir o desembolso, medida que poderia agravar a crise financeira do governo estadual. A solicitação foi formalizada em ofício encaminhado ao ministro Dario Durigan, recebido na última terça-feira, 7 de julho de 2026.","type":"paragraph"},{"key":"67890","text":"No documento, a governadora Fátima Bezerra alertou que a execução imediata da contragarantia poderia comprometer o pagamento da folha de pessoal, os repasses constitucionais aos Poderes e órgãos autônomos, os encargos gerais do Estado, os contratos essenciais e a manutenção dos serviços públicos nas áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social. Por essa razão, o governo estadual pediu que a retenção ocorra somente em outubro, preferencialmente no repasse do dia 10, argumentando que o período entre julho e setembro registra menor ingresso de recursos do FPE, o que intensificaria o problema de fluxo de caixa.","type":"paragraph"},{"key":"abcde","text":"O governo do Rio Grande do Norte atribui a dificuldade a um problema temporário de fluxo de caixa, agravado pela frustração de arrecadação no primeiro quadrimestre de 2026, quando a Receita Líquida do Tesouro ficou R$ 497,4 milhões abaixo da meta. Parte desse resultado é associada à redução na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), após a ampliação da faixa de isenção prometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entrará em vigor em 2027, com 2026 como ano-base. O Estado reafirmou que não pretende deixar de quitar a obrigação nem questiona o direito da União de ser ressarcida, buscando apenas uma reprogramação para mitigar o impacto financeiro.","type":"paragraph"},{"key":"fghij","text":"O economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), avalia que o governo tem boas chances de negociar o adiamento, pois a tendência é que o Ministério da Fazenda adote uma postura semelhante à de outros entes federativos em dificuldade: negociar um prazo mediante compromisso de quitação. Penha, contudo, vê o episódio como um sintoma do colapso fiscal do Rio Grande do Norte, citando como problemas crônicos o crescimento das despesas com pessoal e previdência, e a deterioração das receitas nas últimas duas décadas.","type":"paragraph"},{"key":"klmno","text":"Para justificar o pedido de adiamento, o Governo do Estado espera contar com receitas extraordinárias nos próximos meses, como o recebimento de valores do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), a recuperação de créditos em carteiras auditadas e pendentes de recebimento, e o ingresso de recursos decorrentes da compensação previdenciária. Apesar de reconhecerem que essas receitas podem ajudar momentaneamente, o economista Thales Penha ressalta que elas não atacam a origem do problema estrutural, que exige revisão de renúncias fiscais e uma reforma administrativa planejada.","type":"paragraph"},{"key":"pqrst","text":"O pedido ocorre em meio a outras dificuldades financeiras enfrentadas pelo Governo do Estado, como os atrasos nos repasses de empréstimos consignados dos servidores públicos, cujo passivo supera R$ 500 milhões desde julho de 2025, e os repasses devidos aos municípios, que ultrapassam R$ 100 milhões, incluindo valores de IPVA, cota-parte do ICMS e Fundeb.","type":"paragraph"}]}

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