BRASIL REPELE TARIFA AMERICANA
Governo brasileiro rechaça ameaça de tarifas dos EUA e cogita Lei da Reciprocidade
Ameaça de impor novas tarifas nos produtos brasileiros é classificada como 'protecionista e absurda'. Brasil estuda recorrer à Lei da Reciprocidade para defender seus interesses.
O governo brasileiro manifestou nesta quinta-feira, 04/06/2026, profunda discordância com a ameaça dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida, classificada como 'protecionista e absurda', gerou forte reação em Brasília, que estuda o uso da Lei da Reciprocidade para defender seus interesses comerciais.
A decisão, comunicada informalmente e recebida com surpresa pela administração federal, foi alvo de discussão em reunião ministerial que durou quase cinco horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil não aceita ser tratado como uma 'republiqueta insignificante' e que o governo não havia recebido comunicação oficial sobre as novas propostas tarifárias.
Diante do impasse, Lula anunciou que participará da reunião do G7, na França, de 15 a 17 de junho, evento que ele inicialmente não planejava comparecer. A decisão visa defender o multilateralismo e reforçar parcerias. Embora não haja agenda formal com o presidente americano Donald Trump, que também estará presente, o Planalto considera que um encontro é inevitável, segundo informações da jornalista Ana Flor, no g1. Lula pretende abordar a questão das tarifas e fortalecer relações bilaterais.
Os dados da balança comercial de maio revelam um cenário de queda nas exportações (14%) e importações (11%) do Brasil para os Estados Unidos, resultando em um déficit comercial com o país norte-americano desde o início de 2026. Em contraste, o comércio geral do Brasil apresentou superávit, impulsionado por exportações à China.
Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Paris para um encontro da OCDE, conversou com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Greer coordenou o escritório que recomendou as novas tarifas e afirmou a intenção de manter o diálogo, o que foi concordado por Vieira.
A tensão comercial se intensificou com a ameaça de tarifas de 25% e, posteriormente, mais 12,5%, após um prazo de 30 dias estabelecido em maio por Lula e Trump para negociar disputas comerciais. O governo brasileiro expressou discordância com a conclusão preliminar do Escritório do Representante de Comércio americano, que relacionou as tarifas a alegações de trabalho forçado. A administração brasileira lamenta que um tema importante como a dignidade do trabalhador seja usado como pretexto para medidas protecionistas unilaterais, reiterando o compromisso do Brasil no combate ao trabalho forçado, reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Em nota oficial, o governo ressaltou que se reserva o direito de acionar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso em 2025. Essa legislação permite ao Brasil impor sobretaxas e outras medidas para responder a decisões injustas de parceiros comerciais, especialmente quando não amparadas pelas regras internacionais. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou como 'absurdo' qualquer acusação de que o Brasil acoberta ou pratica trabalho forçado, enfatizando os compromissos internacionais e a seriedade com que o país trata a questão desde a década de 1990.
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