EUA ACUSA PIX

Governo americano impõe tarifas e cita PIX como justificativa; setor financeiro brasileiro rebate alegação

Imagem ilustrativa do sistema PIX, com destaque para o logo e o código QR.
Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda

Governo Trump argumenta que sistema de pagamentos brasileiro prejudica empresas americanas. Especialistas e entidades financeiras do Brasil defendem o PIX e apontam fragilidades na argumentação dos EUA, prevendo solução diplomática.

[ { "type": "paragraph", "props": {"content": "O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, citando o PIX como um dos motivos para a medida. A alegação americana é de que o sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central do Brasil (BC), prejudica a competição com empresas dos EUA. No entanto, especialistas e representantes do setor financeiro brasileiro rebatem a justificativa, defendendo o PIX como uma ferramenta que promove a inclusão e a concorrência." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O PIX se tornou um meio de pagamento onipresente no Brasil, utilizado por vendedores ambulantes, taxistas e estabelecimentos comerciais de diversos portes. Desde sua implementação oficial em novembro de 2020, o sistema, cujos estudos começaram em 2018, revolucionou as transações financeiras. Dados do Banco Central indicam que cerca de 80% dos brasileiros utilizam o PIX para transferências instantâneas, pagamentos no comércio e quitação de boletos. Somente em janeiro de 2026, o sistema registrou R$ 7 bilhões em transações, e em dezembro de 2025, movimentou mais de R$ 313 milhões em um único dia." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "A decisão de impor tarifas foi comunicada na terça-feira (2), surpreendendo o mercado. A investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos apontou que o BC, ao atuar como regulador e operador do PIX, criaria um ambiente favorável ao sistema nacional, limitando a atuação de operadoras de cartão de crédito americanas e de big techs com carteiras digitais. Há também preocupações com a expansão internacional do PIX, que já opera de forma limitada em alguns países, como a Argentina." } }, { "type": "image", "props": { "url": "https://s04.video.glbimg.com/x240/14671623.jpg", "caption": "Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda" } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Camila Villard Duran, especialista em sistema monetário internacional e professora associada de direito da ESCA, contesta a capacidade dos EUA de interferir no funcionamento do PIX no Brasil. Ela considera os argumentos americanos frágeis, destacando que o PIX ampliou a inclusão financeira em um país com alta taxa de desbancarizados. Segundo Villard Duran, o sistema trouxe mais consumidores para entidades privadas, com acesso facilitado a bancos tradicionais e fintechs reguladas pelo BC, independentemente do controle de capital ser brasileiro ou não. "A acusação de prática discriminatória, ela não se sustenta", afirma." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Os números do próprio Banco Central reforçam a solidez do PIX. No segundo semestre de 2025, o uso do sistema cresceu mais de 24%, enquanto o mercado de cartões de crédito manteve sua trajetória de expansão, demonstrando que o PIX não sufocou a concorrência." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Em nota oficial, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) esclareceu que o PIX é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial. A entidade ressaltou que o sistema fomenta a competição e o bom funcionamento do sistema financeiro e da economia em geral. A FEBRABAN enfatizou que o PIX é um modelo aberto e não discriminatório, com a participação ativa de bancos, fintechs e instituições financeiras, tanto nacionais quanto estrangeiras." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "A Confederação Nacional do Comércio (CNC) expressou otimismo quanto a uma resolução diplomática para a disputa comercial. Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, destacou a importância da relação comercial histórica entre Brasil e Estados Unidos, que atualmente apresenta saldo favorável aos americanos. "Não interessa para o Brasil não contar com esse meio de pagamento, não interessa para o Brasil não contar com uma relação histórica com os Estados Unidos", declarou Bentes, alertando para os riscos de taxações elevadas em outros setores da economia brasileira, comparando com os 25% propostos." } } ]

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