OPERAÇÃO CONTRA CRIME

Gaeco desarticula seis fintechs usadas como bancos do PCC no setor de combustíveis

Agentes policiais em ação durante a Operação Fluxo Oculto, com viaturas e equipamentos.
Operação Fluxo Oculto cumpre mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros.

Ação do Ministério Público de São Paulo cumpre 59 mandados e mira esquema de lavagem de dinheiro e adulteração de combustível. Fundos de investimento também são investigados.

O Gaeco do Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira, 28/05/2026, a segunda fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Fluxo Oculto. A ação visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro operado pelo PCC no lucrativo setor de combustíveis, conforme divulgado pela CNN Brasil.

A investigação, que contou com a participação de órgãos como a Receita Federal, ANP, Secretaria da Fazenda estadual, Polícia Militar e Polícia Civil, resultou no cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O foco principal da operação são seis novas fintechs identificadas como peças-chave no esquema. Essas empresas atuavam como verdadeiros bancos paralelos para a organização criminosa, facilitando compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustível, fundos de investimento e outros membros do PCC. Além disso, um esquema de adulteração de combustível, que envolvia a mistura de nafta petroquímica, também foi desvendado.

Os valores ilícitos movimentados pelas fintechs eram utilizados para pagar colaboradores e cobrir despesas pessoais dos principais operadores do esquema, segundo o Ministério Público. O impacto direto dessa atuação criminosa perpetua a insegurança e a concorrência desleal no mercado, prejudicando empresas honestas e o consumidor.

As investigações também revelaram um núcleo dedicado ao desvio de nafta petroquímica. Por meio de vendas simuladas para empresas-fantasma, o solvente era repassado para a Grande São Paulo, indicando uma sofisticação nos métodos de ocultação.

Para viabilizar a criação de empresas de fachada em diversos estados, os investigados recrutavam familiares, indivíduos em situação de vulnerabilidade social e até mesmo pessoas presas, explorando suas identidades para mascarar as operações ilícitas. Essa prática precariza ainda mais a vida de pessoas já fragilizadas.

A movimentação financeira irregular também passava por fundos de investimento, que serviam para ocultar os reais beneficiários das operações do PCC. Uma apuração conjunta do Gaeco com a Receita Federal revelou que quatro fundos investigados acumulam um patrimônio estimado em R$ 205 milhões, com um crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano, demonstrando a magnitude do esquema.

Entre as entidades alvos da operação estão Ceopag, Fundopay, XBR Participações, America Payment, Sispay, Vpay, Smart Solutions, YAW Instituição de Pagamento e Ello Gestora de Recursos, além de administradoras e gestoras ligadas aos fundos investigados. A decisão é definitiva quanto ao seu escopo investigativo atual, mas desdobramentos e recursos podem ocorrer.

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