PIB NACIONAL ACELERA
Fragilidades limitam crescimento sustentável do PIB, aponta análise
Expansão de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 é impulsionada pelo agronegócio, mas especialistas alertam para dependência excessiva de commodities e baixo investimento em setores estratégicos, comprometendo o potencial de desenvolvimento a longo prazo.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026. A divulgação desses dados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira, 05/06/2026, trouxe um alívio pontual diante de um cenário econômico desafiador. O desempenho, que colocou o país entre as seis maiores altas de crescimento econômico global no período, foi impulsionado significativamente pelo setor do agronegócio, que avançou 2%. A indústria apresentou uma alta de 1%, enquanto o setor de serviços cresceu 0,5%.
Esses números superaram as expectativas de parte do mercado, especialmente em um contexto de juros elevados no país. Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, ressalta que o agronegócio reafirma seu papel como motor da economia brasileira. Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, reforça a importância vital do agronegócio para mitigar uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, um papel que tem desempenhado desde 2023.
“O mercado antecipava um PIB mais modesto, justamente em virtude da taxa Selic elevada, mas o agronegócio conseguiu compensar essa expectativa mais uma vez”, comentou Fontes.
Apesar do avanço trimestral, especialistas como Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, alertam para uma dependência excessiva do país em relação às commodities. Segundo ele, o modelo econômico atual pode impor limites ao desenvolvimento sustentável a longo prazo. "O agro é fundamental e extremamente importante hoje, mas existe um outro lado dessa história: não é possível sustentar crescimento por décadas apenas exportando commodities, pois os ciclos econômicos mudam. Em algum momento, é preciso avançar em industrialização", avalia Pascowitch.
Pascowitch também compara a situação brasileira com a de países como a China, que ampliaram sua capacidade de crescimento através de investimentos consistentes em infraestrutura, indústria e produtividade. Nesse sentido, Marilia Fontes aponta que o Brasil enfrenta a realidade oposta: um crescimento modesto aliado a um baixo volume de investimentos. "O que mais preocupa é que o PIB brasileiro continua muito concentrado e com um nível de investimento muito baixo. Isso acaba comprometendo o crescimento no futuro, principalmente porque a dívida pública segue aumentando em um cenário de juros muito altos", complementa.
Essa carência de investimento, de acordo com Fontes, reduz o chamado PIB potencial – a capacidade de o país crescer sem gerar pressões inflacionárias. "Hoje, o Brasil cresce perto de 2% e isso já começa a pressionar a inflação. Isso mostra como o nosso PIB potencial é baixo. Quando um país investe mais em máquinas, infraestrutura e produtividade, ele consegue crescer mais sem criar pressão inflacionária", explica.
Thiago Godoy acrescenta que o avanço em inovação e desenvolvimento tecnológico é crucial para converter o crescimento econômico em ganhos estruturais duradouros. "O país até passou por processos de industrialização, mas ainda está muito atrás no desenvolvimento de tecnologia de ponta. Crescer é positivo, mas transformar esse crescimento em investimento interno e capital humano continua sendo um grande desafio", conclui Godoy.
A análise foi discutida no programa Resenha do Dinheiro, que conta com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock. Apresentado por Thiago Godoy, Marilia Fontes e Bernardo Pascowitch, o programa aborda semanalmente temas econômicos com uma linguagem acessível. A Resenha do Dinheiro é exibida às sextas-feiras, às 19h, no canal CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
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