ESPERA POR DEFINIÇÃO

Fim da 6x1: Lideranças do Senado aguardam Davi Alcolumbre para definir tramitação de PEC

Foto de Davi Alcolumbre em um púlpito.
Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional, aguarda definição sobre tramitação da PEC do fim da 6x1. (Foto: Agência Senado)

Líderes partidários no Senado dependem de um sinal do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para saber como e quando a proposta que busca extinguir a jornada 6x1 avançará. A PEC ainda precisa passar pela CCJ para continuar sua tramitação.

Lideranças partidárias no Senado aguardam uma definição do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1. A matéria, crucial para os direitos trabalhistas, ainda necessita ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para prosseguir no Legislativo.

Na semana passada, Alcolumbre indicou que uma reunião de líderes ocorreria nesta terça-feira, 09/06/2026, para estabelecer um cronograma e definir a relatoria do texto. Contudo, até a noite de segunda-feira, 08/06/2026, as lideranças não haviam sido informadas sobre a confirmação do encontro, que a expectativa é ocorra até o final desta semana. A pressa em definir a pauta se deve à proximidade do recesso parlamentar e ao desejo de senadores que disputam a reeleição de avançar em temas populares.

O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), um aliado do governo, terá papel fundamental na condução das discussões no colegiado. A escolha do relator é outro ponto crítico, pois o senador designado terá a responsabilidade de propor eventuais mudanças no texto já aprovado pela Câmara dos Deputados e guiar o debate na Casa Alta. Tanto o governo quanto a oposição buscam influenciar nessa escolha.

Alcolumbre tem manifestado cautela em relação à PEC. Ele solicitou "tempo" para analisar a proposta, indicou que ela passaria pelas comissões e sinalizou a possibilidade de modificações, ressaltando que o Senado não deve ser uma mera "casa carimbadora" das decisões da Câmara. "Não podemos ser uma Casa carimbadora de propostas aprovadas na Câmara. É um assunto muito relevante para os trabalhadores e empreendedores brasileiros. Espero que o Senado possa ter o tempo razoável para se desobrigar dessa proposta com tamanha envergadura, ouvindo os setores e trabalhadores", declarou em uma sessão. Ele afirmou não ser "a favor nem contra", mas espera que a PEC seja aperfeiçoada com "calma e sem pressa" pelos senadores.

Paralelamente, Alcolumbre encaminhou à CCJ uma proposta alternativa protocolada pela oposição. Este texto, que altera a Constituição Federal, permite que as definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas por meio de acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou "livre pactuação contratual direta". A votação na Câmara, no dia 27 de maio, aprovou a PEC com ampla maioria, com mais de 460 votos em dois turnos, o que pressiona o Senado a dar seguimento à matéria.

A PEC aprovada na Câmara prevê uma transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, dividida em duas etapas sem alteração salarial. A primeira redução ocorreria 60 dias após a promulgação, e a segunda, 12 meses depois. A perspectiva do governo é que o Senado aprove o texto ainda no primeiro semestre, antes do recesso parlamentar previsto para 18 de julho, utilizando a proposta como bandeira eleitoral. No entanto, alguns pontos da matéria ainda geram questionamentos por parte da oposição e de setores empresariais, que pressionam por mais tempo para análise e argumentam contra o avanço da discussão em período eleitoral.

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