GOVERNO REAGE À UE

Faesp cobra governo por restrição da UE à carne brasileira

Imagem de cortes de carne bovina em um frigorífico, simbolizando a produção agropecuária brasileira.
Carga de carne bovina em frigorífico. A União Europeia restringiu a compra de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil.

Entidade considera medida arbitrária e sem base técnica, alegando protecionismo comercial da União Europeia. Impacto potencial de US$ 1,8 bilhão.

{"blocks":[{"key":"11111","text":"A Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo) cobrou, em nota divulgada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, uma postura mais firme do governo federal diante da decisão da União Europeia (UE) de restringir a compra de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil. A entidade condenou a medida, classificada como "descabida e arbitrária", e expressou preocupação com os efeitos sobre a dignidade e a competitividade do setor agropecuário nacional. A restrição visa combater a resistência antimicrobiana, mas a Faesp alega que falta embasamento técnico e que a decisão prejudica o comércio internacional.","type":"paragraph"},{"key":"22222","text":"A União Europeia oficializou, na mesma sexta-feira, 5 de junho, a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixes e mel, ao bloco. Com isso, os embarques brasileiros ficam proibidos a partir de 3 de setembro. A Comissão Europeia justifica a decisão pela falta de garantias suficientes do país sobre o cumprimento das regras relativas ao uso de antimicrobianos na pecuária. A Comissão Europeia e os Estados-membros classificaram a resistência antimicrobiana em 2022 como uma das três principais ameaças sanitárias prioritárias para o bloco.","type":"paragraph"},{"key":"33333","text":"Na avaliação da Faesp, a decisão europeia carece de "lastro ou respaldo técnico e científico", sendo caracterizada como uma "manobra burocrática" para criar entraves comerciais. A federação contesta o argumento europeu sobre o uso de antibióticos, citando que concorrentes diretos do Brasil, como os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, empregam os mesmos produtos sem sofrer restrições semelhantes. A entidade qualificou a medida como "absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória", interpretando-a como "protecionismo comercial unilateral" para conter a competitividade brasileira.","type":"paragraph"},{"key":"44444","text":"A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento de animais, bem como a utilização de medicamentos essenciais para o tratamento de infecções humanas. A Faesp considera inaceitável que o Brasil seja alvo de "retaliações geopolíticas infundadas", defendendo segurança jurídica, respeito às regras e políticas claras de defesa comercial para o setor produtivo.","type":"paragraph"},{"key":"55555","text":"A federação também propôs uma reação coordenada do Mercosul, sugerindo que Argentina e Uruguai se unam ao Brasil para construir um posicionamento regional forte contra a decisão da União Europeia, que precisa "responder à altura". A nota, assinada por Tirso Meirelles, presidente da Faesp, ressalta que o produtor rural brasileiro atua com "excelência e responsabilidade" e que a defesa da agropecuária nacional no mercado internacional cabe à diplomacia brasileira e aos aliados regionais.","type":"paragraph"},{"key":"66666","text":"A restrição imposta pela UE pode ter um impacto significativo em um dos principais mercados para a carne brasileira. Em 2025, a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de carnes do Brasil, totalizando US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 9,3 bilhões). O bloco é o segundo maior comprador de carnes do país, atrás somente da China.","type":"paragraph"}]}

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