TRANSIÇÃO ENERGÉTICA CARA

Expansão de energias renováveis eleva custos de transmissão no Brasil

Painéis solares fotovoltaicos instalados em campo aberto.
Placas solares em operação no Brasil; expansão das fontes renováveis impacta rede de transmissão.

Especialista Pedro Rodrigues, do CBIE, alerta que a distância entre fontes renováveis e consumidores, somada a subsídios na rede, encarece a conta de luz.

A expansão das fontes solar e eólica no Brasil trouxe um efeito colateral inesperado para o bolso dos consumidores: o aumento expressivo nos custos de transmissão de energia. O diagnóstico foi apresentado neste sábado, 11/07/2026, pelo sócio do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Pedro Rodrigues, durante o 170º episódio do programa Infra em 1 Minuto.

Embora as energias solar e eólica sejam consideradas competitivas na "porta da usina", o custo final ao consumidor final é pressionado pela logística necessária para escoar essa eletricidade. Como a maior parte da geração renovável concentra-se no Nordeste e o consumo de energia é predominante no Sudeste, o país precisou construir milhares de quilômetros de novas linhas de transmissão.

Os dados revelam uma escalada de encargos. A receita garantida às empresas transmissoras saltou de R$ 18 bilhões em 2016 para mais de R$ 51 bilhões em 2025, um incremento de 187%. No mesmo intervalo, o consumo nacional de eletricidade cresceu apenas 23%. Segundo Rodrigues, a expansão da infraestrutura superou largamente a demanda, e essa conta acaba sendo repassada integralmente aos consumidores.

Outro ponto de atenção reside nos descontos tarifários concedidos às geradoras renováveis. Com abatimentos que variam de 50% a 100% no uso dos sistemas de transmissão e distribuição, o custo que essas empresas deixam de pagar é redistribuído entre os demais usuários do SIN (Sistema Interligado Nacional). O mesmo ocorre na geração distribuída, onde consumidores que instalam painéis solares pagam menos pelo uso da rede, deixando a fatia restante do custo para famílias que não possuem condições de investir em sistemas próprios.

Para o sócio do CBIE, o modelo atual de subsídios cruzados prejudica a equidade social. "A energia mais barata no papel pode ser a mais cara na tomada", afirma Rodrigues. O especialista reforça que a análise não se opõe à transição energética, mas defende uma alocação mais justa dos custos de operação e expansão do sistema elétrico.

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