TARIFAS COMERCIALIZADAS

Eurasia Group: Lula adota postura antiamericana em meio à pré-campanha

Christopher Garman falando em uma entrevista.
Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, em entrevista ao WW.

Diretor da Eurasia Group avalia que retórica de Lula reflete estratégia eleitoral e que governo brasileiro falhou em oferecer concessões para evitar imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos.

A imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos ao Brasil, decisão anunciada em 04/06/2026, reflete uma complexa dinâmica comercial e política, segundo Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group. Garman avaliou que a medida, em grande parte, já estava encaminhada, e que o governo brasileiro perdeu a oportunidade de negociar concessões que pudessem reverter ou mitigar a decisão americana. A análise, divulgada em entrevista ao WW, destaca a falta de movimento do lado brasileiro como um fator crucial para a recomposição das taxações, impactando diretamente a economia e a relação bilateral.

As tarifas, que incluem uma proposta de 25%, foram apresentadas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) após a Suprema Corte americana invalidar o instrumento AIPA globalmente. De acordo com Garman, as investigações do tipo 301 foram iniciadas justamente para substituir as tarifas que haviam sido retiradas. "A tarifa que foi derrubada no Brasil era de 40%; sobrou 10%, e o USTR propôs a reposição de 25%", explicou Garman. Ele pondera que, sob uma perspectiva, o governo americano acabou por reduzir parcialmente a taxação anterior ao não repor o valor integral, configurando uma "descalada" em relação ao regime tarifário preexistente.

A análise da Eurasia Group aponta uma falha estratégica do governo brasileiro ao não apresentar concessões relevantes durante o período de negociações. A ausência de adesão a acordos como o de minerais críticos, um interesse declarado dos Estados Unidos, foi um dos pontos mencionados por Garman como um fator de frustração para os americanos. "Faltando concessões maiores, veio a decisão dessa recomposição parcial", afirmou o analista, ressaltando que a inércia do processo indicava a iminência de uma recomposição tarifária e que a responsabilidade de evitá-la recaía sobre Brasília.

Christopher Garman também destacou o calendário eleitoral como um complicador para as negociações comerciais. Ele observou que, à medida que o Brasil se aproxima do período eleitoral, a capacidade de avançar em acordos comerciais torna-se progressivamente mais difícil. A retórica adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em resposta ao anúncio das tarifas foi um ponto de atenção para o analista. "É claro que ele disse que foi surpreendido, que é um choque, mas isso é um pouco de retórica para ter apoio doméstico e uma postura mais antiamericana", avaliou Garman. Para o diretor-executivo da Eurasia Group, essa postura está diretamente ligada à pré-campanha para as eleições presidenciais, configurando uma estratégia de comunicação para angariar apoio interno.

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