TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO
EUA realizam ataques contra 90 alvos militares iranianos em retaliação
Em resposta a ataques iranianos a navios comerciais, forças americanas atingem 90 alvos estratégicos. Presidente Trump declara fim de acordo e ameaça com "ataques fortes". Irã responde com ameaças de fechar Estreito de Ormuz e retaliações.
As forças do Comando Central dos EUA (Centcom) realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã nesta quarta-feira, 09/07/2026, com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito de Ormuz.
Segundo o comunicado emitido pelas forças americanas, a ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
Valiollah Hayati, vice-governador de Khuzestan, informou que três pessoas foram mortas e várias ficaram feridas no ataque na periferia da cidade de Ahvaz, segundo a agência iraniana Irna. A ofensiva desta quarta-feira dá continuidade a uma primeira onda de ataques realizada na noite anterior. Na terça-feira, 07/07/2026, as forças do Centcom já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos militares no Irã, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica.
De acordo com o governo americano, a retaliação inicial foi uma resposta direta à violação de um acordo de cessar-fogo por parte do Irã, após o país ter atacado três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio global e o transporte de petróleo.

A escalada militar ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 09/07/2026, com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump afirmou que o pacto com Teerã "acabou".
"Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", declarou o presidente americano.

Pouco depois, antes de uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump diminuiu levemente o tom e disse não ter "certeza se o acordo vai se manter", mas condenou o fato de o Irã ter atacado embarcações na terça-feira, 07/07/2026, e sinalizou que a ofensiva vai continuar.
"Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite", declarou a repórteres, acrescentando: "Se for preciso, cortaremos o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água, mas não queremos isso".
Em resposta direta às ameaças, o Irã fechará o Estreito de Ormuz caso ocorram novos ataques contra o país nesta quarta-feira, 09/07/2026, segundo a emissora iraniana Press TV. A informação partiu de uma fonte de segurança que falou de forma anônima.
A fonte também afirmou que Teerã atacará alvos "inimigos" numa proporção de pelo menos dois para um caso as promessas de Trump se concretizem. A via marítima, por onde passam 20% de todas as exportações de petróleo mundiais, havia sido reaberta justamente com o acordo do mês passado.
Ainda nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã divulgou que assume ataque a bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e Bahrein. A força armada do país também ameaçou expandir os ataques para outras bases americanas na região caso os EUA voltem a atacar. A nota detalhou que a investida mirou especificamente as instalações em Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein. Na terça-feira, 07/07/2026, a mídia estatal iraniana havia reconhecido explosões nas regiões de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik. Durante a noite, sirenes foram acionadas nos países parceiros dos americanos e os sistemas de defesa aérea acionados.
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