TARIFAS DE IMPORTAÇÃO

EUA propõem tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, alertam órgãos do governo

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, reunido com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Nova sobretaxa americana pode elevar o imposto total sobre mercadorias do Brasil. Negociações estão em andamento entre os governos.

Órgãos do governo brasileiro, incluindo Itamaraty e os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Indústria e Comércio, alertam que a combinação de tarifas proposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode resultar em uma carga tributária total de até 37,5%. A medida, caso seja implementada, representa um agravamento significativo nas relações comerciais entre os dois países e afeta a dignidade das exportações nacionais.

Essa estimativa de percentual decorre de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Um primeiro relatório, divulgado em 1º de junho de 2026, sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A justificativa apresentada pelos EUA é a alegação de que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Em resposta, o governo americano propôs uma taxa adicional de 12,5%.

Com a inclusão dessa sobretaxa, o imposto total poderia atingir 37,5%, um patamar próximo aos cerca de 40% impostos no ano anterior. A questão foi discutida em um encontro nesta quarta-feira, 03/06/2026, entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na França. Greer sinalizou que os Estados Unidos permanecem abertos ao diálogo, enquanto Vieira enfatizou a necessidade de intensificar as negociações.

Fontes próximas à conversa indicam um canal de comunicação ativo entre os governos, com as negociações avançando dentro do prazo de 30 dias previamente acordado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. O diálogo ocorre em um cenário de crescentes tensões comerciais após a divulgação das medidas tarifárias, mas integrantes da delegação brasileira avaliam que os canais de negociação seguem abertos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou descontentamento com o tratamento dispensado pelos EUA ao Brasil, criticando a postura americana. Ele orientou o governo a reforçar a defesa da soberania nacional e do PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central (BC), que também foi alvo de questionamentos por parte dos EUA como exemplo de prática comercial considerada irregular. Lula também indicou a possibilidade de buscar novos parceiros comerciais caso as negociações não progridam e informou que reconsiderou sua participação na Cúpula do G7, agendada para 15 a 17 de junho na França, após a postura americana.

O tema dominou uma reunião ministerial nesta terça-feira (31), sendo tratado como uma crise comercial com potencial impacto político, especialmente no contexto eleitoral. Apesar do tom mais firme do presidente, assessores ainda vislumbram espaço para negociação, considerando a continuidade do diálogo com os EUA como um sinal de que as tarifas podem ser revistas. A estratégia governamental seria negociar as tarifas de forma separada, buscando reverter ao menos uma das medidas propostas.

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