FALHA NA FISCALIZAÇÃO
EUA propõem tarifas adicionais contra 59 países, incluindo Brasil, por trabalho forçado
Governo americano aponta pecuária brasileira em lista de produtos que "não conseguiram" proibir importação de bens com trabalho escravo. Medida afeta 99% das importações dos EUA.
O governo dos Estados Unidos propôs a imposição de tarifas adicionais de 12,5% a 53 países, incluindo o Brasil, por não conseguirem proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Outras seis nações deverão enfrentar taxação de 10%. A decisão, comunicada nesta quarta-feira, 03/06/2026, visa combater uma prática que, segundo autoridades americanas, cria concorrência desigual para trabalhadores dos EUA e perpetua a exploração humana em escala global. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) destacou, em seu relatório, um estudo de caso sobre a pecuária brasileira, sugerindo que pecuaristas do país integram a chamada "Lista Suja", que aponta irregularidades trabalhistas graves.
Essa iniciativa se soma a outras medidas recentes de caráter retaliatório contra o Brasil, elevando as tensões comerciais entre os dois países. A proposta de tarifas visa pressionar economias que, na visão americana, falham em fiscalizar e proibir a entrada de produtos feitos sob condições de exploração. O relatório do USTR, que abrange mais de 99% das importações dos EUA, condena todas as 60 economias investigadas, que vão de nações aliadas a economias emergentes, como a União Europeia, Japão e Israel.
A decisão de taxar adicionalmente o Brasil e outros países é parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para reavaliar barreiras comerciais. O USTR realizará uma audiência pública sobre a proposta em 7 de julho, e as medidas definitivas devem ser discutidas até 15 de julho. Autoridades americanas argumentam que a falha em coibir o trabalho forçado prejudica a competitividade de seus próprios trabalhadores e viola princípios éticos fundamentais no comércio internacional.
No caso brasileiro, o relatório aponta que, embora o país alegue proibir importações produzidas com trabalho forçado, as medidas implementadas não coíbem legalmente a entrada de bens produzidos nessas condições para o mercado interno. A preocupação americana se estende até mesmo às exportações agrícolas, como a carne bovina, onde a prevalência de trabalho forçado na produção pode afetar a competitividade dos produtos dos EUA em mercados como a China.
O representante-geral de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, expressou a necessidade de os parceiros comerciais fazerem mais para evitar que o comércio mundial incentive e perpetue o trabalho forçado. Ele enfatizou que o fracasso em abordar essa questão é inaceitável e cria um cenário de competição desigual para os trabalhadores americanos. A investigação e as propostas de tarifas acontecem em um contexto de divergências comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com declarações de ambos os lados sobre a necessidade de diálogo e a busca por soluções negociadas.

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