NOVA TARIFAÇÃO DOS EUA

EUA propõem novas tarifas a 60 economias, incluindo Brasil, por falhas em combate a trabalho forçado

Donald Trump em evento na Casa Branca.
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no jardim da Casa Branca, em 11 de maio de 2026.

Proposta do USTR estabelece sobretaxas de 10% a 12,5% para 14 e 45 países, respectivamente. Decisão visa coibir comércio de produtos feitos com mão de obra análoga à escravidão.

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou nesta quarta-feira, 03/06/2026, uma proposta para impor tarifas adicionais sobre produtos importados de cerca de 60 economias. A medida, que afeta diretamente o Brasil, justifica-se por supostas falhas desses países em combater o comércio de bens fabricados com trabalho análogo à escravidão. A decisão, embora apresentada nesta data, ainda é uma proposta e pode ser objeto de recursos e audiências públicas.

As alíquotas propostas pelo USTR variam entre 10% e 12,5%. Um grupo de 14 países e territórios, incluindo Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, El Salvador, Guatemala, Malásia, Taiwan e Reino Unido, enfrentaria tarifas de 10%. O Brasil está inserido no conjunto de 45 nações que seriam sujeitas à alíquota de 12,5%.

Esta proposta representa o desdobramento de uma investigação sob a Seção 301, que analisou práticas comerciais consideradas desleais. O USTR determinou que as economias sob escrutínio falham em impedir o comércio de produtos feitos com trabalho forçado, o que, segundo o órgão, prejudica o comércio norte-americano e a dignidade dos trabalhadores. Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, criticou a inércia de parceiros comerciais, afirmando ser inaceitável competir em condições desiguais.

A medida surge em um contexto de revisão tarifária, pouco antes do vencimento, em 24 de julho, de uma tarifa temporária de 10% imposta pelo governo Trump em 20 de fevereiro. Essa imposição havia sido uma tentativa de restabelecer tarifas de emergência após uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro de 2026, anular tarifas anteriores com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.

É importante notar que, na segunda-feira, 01/06/2026, o USTR já havia proposto uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, decorrente de outra investigação sobre práticas de comércio digital e tarifas preferenciais. A proposta atual de 12,5% para o Brasil, portanto, substitui ou complementa essa ação anterior, demonstrando a dinâmica volátil das políticas comerciais.

O USTR anunciou que diversas categorias de produtos serão isentas das novas tarifas. Entre elas estão energia, terras-raras, alguns metais, carne bovina, café, certas frutas e vegetais, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos e componentes de aeronaves. Essa flexibilidade visa mitigar impactos em setores específicos.

A agência americana receberá comentários públicos e sugestões sobre as tarifas propostas e outros mecanismos comerciais até 6 de julho. Uma audiência pública está agendada para 7 de julho, permitindo que as partes interessadas apresentem seus argumentos antes de uma decisão final. O USTR também prepara a divulgação de conclusões sobre outra investigação da Seção 301, focada no excesso de capacidade industrial em 16 parceiros comerciais, incluindo a China.

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