GOVERNO AMERICANO ATUA

EUA propõem nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros em caso de trabalho escravo

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em foto oficial.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Medida, que atinge 58 países, pode elevar taxação total sobre produtos brasileiros a 37,5%. Decisão visa combater importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A decisão de propor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros foi anunciada nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A medida, que afeta 58 países, visa investigar e combater a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo, uma prática que, segundo o USTR, prejudica o comércio americano e desfavorece trabalhadores dos EUA. A justificativa é que o Brasil, juntamente com outras nações, falhou em proibir a importação de tais produtos, gerando uma concorrência desleal. Para 14 economias, como Argentina, Canadá, México, União Europeia e Reino Unido, a tarifa foi fixada em 10%, por terem demonstrado ações parciais contra o trabalho forçado. As demais 46 nações, incluindo o Brasil, receberam a alíquota de 12,5% por não terem implementado nenhuma proibição efetiva. Esta nova cobrança se somaria aos 25% já propostos um dia antes pelos EUA, após uma investigação sobre "práticas incoerentes" do Brasil com o comércio norte-americano. Se ambas as medidas forem aplicadas, a taxação total sobre produtos brasileiros poderá atingir 37,5%. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, enfatizou que a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado cria condições desiguais para os trabalhadores americanos. "Não toleraremos mais essa disparidade", declarou Greer ao anunciar a proposta. Uma audiência pública para debater a tarifa adicional está agendada para 7 de julho de 2026, em Washington. O evento ocorrerá um dia após a audiência sobre a investigação específica contra o Brasil, ambas fundamentadas na mesma legislação comercial americana. O setor têxtil pode contar com um mecanismo especial para a redução da tarifa sobre um determinado volume de importações de vestuário. O cálculo será baseado nos volumes de importação e exportação entre os EUA e os países impactados, embora o relatório não especifique a quantidade exata. O Itamaraty esteve à frente das tratativas com o USTR durante a investigação, apresentando dados sobre a carência de fiscais do trabalho no Brasil. O ministro Mauro Vieira havia solicitado que o governo americano evitasse a aplicação de punições, mas o órgão ainda não se posicionou sobre a nova proposta. Empresários brasileiros já antecipavam o anúncio, acompanhando de perto o desenrolar da investigação desde seu início. A proposta agora segue para um período de consulta pública antes que qualquer decisão definitiva seja tomada sobre a aplicação das tarifas. O Brasil figura na lista das 46 economias que, de acordo com o USTR, não conseguiram impor e aplicar proibições à importação de produtos oriundos de trabalho forçado. Outros países nessa lista incluem China, Índia, Japão, Rússia, Arábia Saudita e Venezuela.

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