ALERTA COMERCIAL

EUA propõem nova tarifa a produtos do Brasil por suspeita de trabalho forçado

Sede do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em Washington.
Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou a proposta.

Governo americano sugere acréscimo de 12,5% sobre importações brasileiras. Medida visa combater práticas de trabalho forçado em cadeias produtivas globais.

O governo dos Estados Unidos apresentou nesta quarta-feira, 03/06/2026, uma proposta para a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), justifica-se pela alegada falha de diversas nações em coibir o uso de trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A decisão, que visa a promover um comércio internacional mais justo e proteger a competitividade do mercado norte-americano, tem potencial para impactar significativamente as exportações brasileiras.

A proposta surge após uma investigação aprofundada que analisou as práticas de cerca de 60 economias. Segundo o USTR, a ausência de mecanismos eficazes para barrar produtos feitos em condições irregulares prejudica a concorrência leal. Para o Brasil e outros países, a tarifa adicional sugerida é de 12,5%. Já nações como Canadá, México, Indonésia e membros da União Europeia podem enfrentar uma taxa de 10%.

A iniciativa foi divulgada na noite da última terça-feira (2) e é um desdobramento de um processo investigativo iniciado em 2025. A apuração avaliou a eficácia de governos estrangeiros em impedir a entrada de produtos associados a condições de trabalho consideradas irregulares, conforme a legislação comercial dos Estados Unidos. A definição é preliminar e abre espaço para contestação e recursos por parte dos países afetados.

Setores produtivos brasileiros acompanham com atenção o desenrolar da questão. Caso confirmada, a nova cobrança poderá somar-se a outra tarifa de até 25% já proposta anteriormente pelos EUA em relação a práticas comerciais do Brasil. A imposição dessas taxas adicionais eleva os custos de produção de forma artificial, criando uma disputa comercial desigual, conforme aponta o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.

A lista de economias sob escrutínio inclui, além do Brasil, países como Argentina, China, Índia, Japão, Reino Unido e África do Sul, entre outras. A dignidade humana e os direitos trabalhistas estão no centro deste debate, uma vez que a existência de trabalho forçado compromete não apenas a justiça comercial, mas também os valores fundamentais de respeito ao indivíduo.

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