TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

EUA e Irã intensificam ataques; Netanyahu ordena ofensiva nos arredores de Beirute

Soldados israelenses em formação de patrulha em área rochosa com vegetação esparsa.
Soldados israelenses patrulham o sul do Líbano após a tomada do Castelo de Beaufort.

Troca de ataques entre Estados Unidos e Irã aumenta o receio de um conflito maior. Israel avança em Beirute enquanto negociações de paz seguem travadas.

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas 24 horas, elevando a tensão em torno das negociações para encerrar a guerra. Teerã atribuiu a lentidão das conversas às posições contraditórias de Washington e à continuidade dos ataques israelenses no Líbano, condicionando qualquer acordo de paz ao cumprimento do cessar-fogo no país.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira, 01/06/2026, que os dois países ainda não chegaram a um acordo. "A outra parte está constantemente mudando suas posições e apresentando novas exigências ou demandas contraditórias", declarou. Baghaei também considerou as ações de Israel na região inseparáveis das ações dos EUA, reafirmando que qualquer acordo para encerrar o conflito deverá incluir a implementação da trégua no Líbano.

As declarações surgiram após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenar a retomada dos ataques aos subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah. Milhares de moradores fugiram da capital, congestionando as estradas, uma cena que se tornou rotina para parte dos libaneses desde o início do conflito. A decisão de Netanyahu impacta diretamente a segurança e a dignidade dos civis, forçando o deslocamento e expondo famílias a riscos.

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) convocou uma reunião de emergência, a pedido da França, para discutir a situação no Líbano. Embora Líbano e Israel tenham concordado com uma trégua em 17 de abril, o acordo nunca foi plenamente respeitado, gerando insegurança contínua.

Após a expansão da campanha militar, o porta-voz da União Europeia, Anouar El Anouni, solicitou que Tel Aviv respeite a soberania do país vizinho. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou a situação como uma "agressão cruel e condenável".

O Exército israelense avançou em sua invasão do sul do Líbano, tomando o controle do estratégico Castelo de Beaufort. Nesta segunda, o governo de Netanyahu ordenou a evacuação de nove aldeias nas regiões de Sidon e Jezzine. Cidades e vilarejos foram devastados pela ofensiva, afetando a vida e o patrimônio de milhares de pessoas.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que pretende estabelecer uma zona sob controle militar na região do rio Litani, advertindo que "não haverá calma em Beirute" enquanto os ataques do Hezbollah continuarem. Essa declaração sinaliza uma escalada que pode prolongar o sofrimento humano.

Na outra frente do conflito, os militares americanos informaram que atacaram centros de comando no sul do Irã durante o fim de semana. O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, declarou que a ação foi em retaliação ao abate de um drone americano pelo Irã.

Em resposta, a Guarda Revolucionária declarou nesta segunda-feira ter atacado uma base aérea utilizada pelos EUA. As defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base militar americana, interceptaram uma ofensiva de mísseis e drones, conforme informou a agência estatal de notícias Kuna. Esses atos elevam o risco de represálias e instabilidade regional.

As negociações para encerrar o conflito continuam nebulosas, com o presidente Donald Trump fazendo declarações contraditórias sobre o avanço das conversas. Em maio, Trump afirmou que um acordo estava próximo, mas as discussões estagnaram. Seu objetivo principal declarado é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, algo que Teerã nega consistentemente.

Trump enfrenta pressão para reabrir o estreito de Hormuz e conter a alta dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato em novembro. Ao mesmo tempo, ele lida com a oposição interna em relação a possíveis concessões a Teerã. As partes seguem em desacordo sobre a suspensão das sanções americanas e a liberação de fundos iranianos congelados em bancos estrangeiros, cujos desdobramentos afetam a economia global e a vida de cidadãos.

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