TARIFA AMERICANA

EUA: audiências técnicas expõem fragilidades de novas tarifas sobre produtos brasileiros

Senador Flávio Bolsonaro em audiência pública nos Estados Unidos sobre tarifas
Começam audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros

Empresários e economistas brasileiros argumentam que sanções não têm base técnica. Senador Flávio Bolsonaro participa de audiências em Washington.

As audiências públicas nos Estados Unidos sobre a proposta de novas tarifas para produtos brasileiros terminaram o primeiro dia com críticas técnicas contundentes. Empresários e economistas do Brasil avaliaram que até mesmo representantes do governo americano reconhecem a ausência de fundamentos técnicos para a taxação adicional de até 37,5% sobre importações brasileiras.

Embora setores americanos específicos, como pecuária e etanol, tenham defendido as novas medidas, a maior parte das manifestações se alinhou aos argumentos do governo brasileiro, que aponta a falta de base técnica para a imposição de tarifas extras.

Começam audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros

A expectativa é que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, que compareceu à audiência nesta terça-feira, 07/07/2026, apresente uma perspectiva diferente. A expectativa de parte do setor empresarial é que ele defenda a não aplicação imediata das tarifas pelo governo Donald Trump, abandonando a ideia de postergar a decisão para após as eleições americanas.

Flávio Bolsonaro, que chegou aos Estados Unidos no último domingo, 05/07/2026, tem atuado em assuntos internacionais de forma independente, sem vinculação formal com o Itamaraty. A intenção é buscar uma reversão no posicionamento americano sobre as tarifas.

O temor de alguns empresários é que uma eventual vitória de Trump possa levar a concessões indesejadas para o governo brasileiro. Setores como o de etanol e açúcar demonstram maior apreensão, pois Flávio Bolsonaro já indicou em comunicação anterior ao USTR a possibilidade de flexibilização nesses segmentos.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também expressam preocupação com o discurso do senador, temendo que uma fala inadequada possa fortalecer a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral. O objetivo é evitar que a participação do senador se torne um 'tiro no pé' político.

A equipe de Trump estaria ciente das negociações em andamento. Assessores do presidente Lula indicam que o discurso de Flávio Bolsonaro visa eleitores no Brasil, caracterizando-se como uma estratégia política que a equipe de Lula busca desmistificar como não correspondente à realidade.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro participou da audiência pública do USTR após inscrição. Em documentos enviados à autoridade americana, ele solicitou cinco minutos para se pronunciar em inglês, apresentando-se como integrante do Senado Federal do Brasil e pré-candidato à Presidência. Relatou ter se reunido previamente com Trump para discutir os temas em pauta.

  • Posicionamento contrário à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a quaisquer medidas relacionadas ao PIX brasileiro.
  • Argumento de que as sanções americanas beneficiariam o governo atual e prejudicariam exportadores brasileiros, consumidores americanos e a oposição.
  • Afirmação de que as sanções não atingiriam o objetivo de coibir práticas investigadas e poderiam gerar o efeito oposto.
  • Proposta de abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral com cronograma definido, abrangendo comércio digital, corrupção, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e tarifas.
  • Declaração de que a distância entre as posições dos EUA e um governo brasileiro 'reformista' seria menor do que com o atual governo Lula.

O governo brasileiro optou por não discursar diretamente na audiência pública, mas enviará representantes da embaixada em Washington como observadores. A estratégia governamental é que o espaço adequado para negociações de fato são as conversas técnicas e de alto nível, em andamento e planejadas para os próximos dias, e não as audiências públicas.

Na semana anterior, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com Jamieson Greer, representante do escritório comercial dos EUA, com novas conversas agendadas. O Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento para os pontos levantados pelos EUA, aguardando resposta formal. O prazo para um acordo é 15 de julho de 2026.

O governo brasileiro tem enfatizado a urgência em chegar a um entendimento, apresentando dados sobre a relação comercial e o combate ao desmatamento. Em resposta formal enviada na semana anterior, assinada pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), o Brasil sustentou que o USTR não comprovou a existência de atos, políticas ou práticas brasileiras discriminatórias ou que imponham barreiras ao comércio dos Estados Unidos. O ministro ressaltou ainda que críticas ao PIX e à Justiça brasileira são divergências políticas internas, sem relação com comércio.

Nos bastidores, integrante do governo avaliam que uma reversão completa das tarifas é improvável, mas uma redução ou a concessão de exceções podem ocorrer. A percepção geral no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que a recomendação do USTR possui um caráter político e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo das negociações.

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