PIX NA MIRA

EUA acusam Pix de ser injusto e discriminatório contra empresas americanas

Gráfico mostrando o logo do Pix e a bandeira dos Estados Unidos com um sinal de alerta.
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, é o centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos.

Representante Comercial dos Estados Unidos sugere taxação de importações brasileiras com base em alegações de concorrência desleal pelo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil.

O sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, voltou a ser alvo de discussões com uma nova proposta tarifária da USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos). A proposta, divulgada na noite de segunda-feira, 1º de junho de 2026, cita o Pix como um dos motivos para a recomendação de taxação de 25% sobre importações brasileiras.

As investigações americanas, conduzidas no âmbito da Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, consideram o Pix como um meio de pagamento 'injusto e discriminatório' contra empresas dos Estados Unidos. A principal alegação é que o Pix é operado pela mesma organização que o regula, o Banco Central, o que geraria um conflito de interesses inerente.

O órgão americano também acusa o Banco Central de favorecer o Pix ao incentivar seu uso gratuito para pessoas físicas, além de limitar as taxas cobradas por transações. Essa postura, segundo os EUA, cria um ambiente desfavorável para a concorrência.

A investigação sobre o Pix pelo governo norte-americano teve início em julho de 2025, período em que o então presidente Donald Trump também havia ordenado a imposição de tarifas de 50% às importações brasileiras. Na ocasião, Trump declarou que o Brasil promovia 'ataques contínuos às atividades de comércio digital de empresas americanas' e outras 'práticas comerciais injustas', instruindo o representante comercial Jamieson Greer a iniciar a investigação.

Há pouco mais de um mês, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente americano Donald Trump se reuniram para discutir o tema. A delegação brasileira informou que as questões sobre o Pix foram respondidas de forma enfática, em um debate considerado 'técnico' e 'positivo', com a expectativa de que não seriam necessárias novas rodadas de conversas.

Posteriormente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob o comando do secretário Marco Rubio, classificou as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Essa medida gerou preocupações sobre possíveis impactos no sistema financeiro nacional, incluindo o Pix. Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, esclareceu que o objetivo central é desmantelar as redes financeiras ilícitas usadas por essas organizações, sem comentar especificamente sobre o Pix.

Em nota divulgada na sexta-feira, 29 de maio de 2026, o Palácio do Planalto alertou que medidas unilaterais podem 'afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros'. A advogada especialista em comércio internacional, Vera Kanas, prevê que os bancos brasileiros precisarão de ajustes e novos parâmetros de compliance, mais robustos.

Atualmente, a USTR alega que o Pix ameaça a economia americana. Uma audiência sobre a ação proposta está marcada para 6 de julho de 2026, com um prazo para a aplicação de 'medidas corretivas' em 15 de julho.

Bancos se manifestam contra proposta

Nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), expressou tranquilidade diante das alegações americanas. Ele atribuiu as críticas a 'informações incompletas' e 'algum mal-entendido', defendendo que o Pix não apresenta problemas anticompetitivos nem serve como canal para recursos ilícitos, por ser 'super bem regulado'.

Sidney ressaltou ainda o papel fundamental do Pix na bancarização, no acesso financeiro e no aumento do consumo no Brasil. Em nota divulgada no dia anterior, a Febraban reforçou que o Pix é uma 'infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial', que impulsiona a competição e o bom funcionamento do sistema financeiro e da atividade econômica.

A entidade também salientou que o Pix opera no mercado nacional, em um sistema de pagamentos local cuja moeda é o Real.

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