TENSÃO NO TÊNIS
Estrelas ameaçam boicote a Roland Garros por valores
Associação de Tenistas Profissionais critica prêmios inferiores aos demais Grand Slams. Impasse antes de 24 de maio.
Nesta semana, a Associação de Tenistas Profissionais (PTPA), em nome de atletas de elite como Aryna Sabalenka, expressou "profunda decepção" e sinalizou a possibilidade de boicote ao torneio de Roland Garros, que tem início marcado para 24 de maio. A contundente decisão nasce da persistente diferença na premiação oferecida pelo evento francês, que, mesmo com um aumento de 9,5% previsto para 2026, permanece significativamente inferior aos valores distribuídos pelos demais Grand Slams. Este impasse crucial expõe a batalha dos jogadores por uma divisão mais equitativa das vultosas receitas do esporte, impactando diretamente a subsistência de muitos e levantando questões sobre a sustentabilidade e a justiça no tênis global.
Jogadores de elite pressionam por uma fatia maior das receitas do torneio francês. A premiação total de Roland Garros soma 61,7 milhões de euros — aproximadamente R$ 304,8 milhões na cotação atual. Embora um aumento de 9,5% esteja previsto para 2026, este valor ainda se mostra aquém dos outros três Grand Slams. Para contextualizar, o Australian Open ofereceu uma premiação recorde de 111,5 milhões de dólares australianos — cerca de R$ 551,8 milhões — em janeiro. O US Open distribuiu US$ 90 milhões (aproximadamente R$ 444,6 milhões), enquanto Wimbledon pagou 53,5 milhões de libras (cerca de R$ 264,3 milhões) em 2025.
Aryna Sabalenka e outros nomes de destaque manifestaram essa "profunda decepção" em comunicado, indicando um possível boicote caso a disparidade não se reduza. "Elogiamos e apoiamos totalmente os jogadores por se posicionarem e lutarem pelo que merecem: uma divisão justa das receitas que ajudam a gerar", afirmou a PTPA em nota enviada à Reuters. A entidade reforça a necessidade de "mudanças estruturais profundas e urgentes" no tênis.
A Reuters procurou os organizadores de Roland Garros, mas não obteve resposta até o momento. O torneio francês havia informado no mês passado que pretende reforçar o apoio financeiro às fases qualificatórias e às primeiras rodadas da chave principal, com aumentos mais significativos para os jogadores com maior necessidade de custeio da temporada.
É importante ressaltar que os Grand Slams operam sob modelos financeiros diferentes dos circuitos da ATP e da WTA. As premiações são definidas de forma independente por cada torneio, e não por um sistema centralizado.
Sabalenka, tetracampeã de Grand Slam, argumentou em Roma que os jogadores são o principal atrativo dos maiores torneios. "Sinto que o espetáculo depende de nós", disse ela. "Sem nós, não haveria torneio nem entretenimento. Com certeza merecemos receber mais." O apoio dela ecoa a proposta de uma divisão de 22%, alinhada ao que ATP e WTA oferecem em eventos combinados de nível 1000.
Embora o embate atual seja liderado por grandes estrelas, jogadores de ranking mais baixo há anos destacam como a estrutura de premiação impacta diretamente sua capacidade de arcar com custos essenciais, como viagens, treinadores e despesas médicas, ao longo de um calendário intenso de 11 meses. A desigualdade afeta profundamente a dignidade e a carreira de muitos talentos.
A discussão sobre a premiação trouxe à tona outras preocupações urgentes. Jogadores afirmaram nesta semana que propostas relacionadas ao bem-estar da categoria não receberam resposta e que não há progresso significativo rumo a uma representação mais justa nas decisões dos Grand Slams. Essas críticas refletem pontos sob análise em uma ação coletiva movida pela PTPA no ano passado. A entidade, cofundada em 2020 por Novak Djokovic e Vasek Pospisil, visa representar os atletas e impulsionar mudanças no esporte.
"O tênis está ficando para trás em relação a outros esportes globais em todos os indicadores relevantes por causa de sua estrutura", acrescentou a PTPA. "Enquanto isso não for tratado de forma direta e abrangente, o progresso continuará sendo gradual, e os jogadores seguirão presos ao mesmo ciclo, pressionando por mais premiação temporada após temporada." A entidade conclui: "É exatamente isso que a PTPA e o processo contra os Grand Slams e os circuitos da ATP e da WTA pretendem mudar."
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