GOVERNO ATACA FAMÍLIA

Especialista critica nota do governo Lula contra família Bolsonaro como 'agressiva'

Representação simbólica do Palácio do Planalto e da família Bolsonaro.
O governo federal divulgou uma nota sobre a família Bolsonaro.

Thiago Vidal, analista político, avalia como calculada e fora da impessoalidade a resposta do governo federal à atuação dos Bolsonaro nos Estados Unidos.

O governo federal divulgou uma nota classificando como "deplorável" a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. A reação, considerada politicamente calculada, foi analisada por Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva ao WW, como uma resposta direta a um ato eleitoral.

Vidal destacou que o documento emitido pelo governo adota um tom "agressivo", fugindo ao princípio da impessoalidade na administração pública ao citar nominalmente a família Bolsonaro. "Uma nota agressiva, inclusive, que cita a família Bolsonaro, algo que foge ao princípio da impessoalidade da administração pública e que indica, portanto, que o governo federal está respondendo a um ato político eleitoral também com uma ação política", afirmou o especialista.

Em análise sobre a estratégia eleitoral do bolsonarismo, o especialista aponta que a aposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu núcleo de campanha é a de que o senador Flávio Bolsonaro tentaria se distanciar de um vínculo negativo – a relação com o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro – para se aproximar da pauta de segurança pública. Vidal, contudo, pondera que essa estratégia pode não alcançar o efeito desejado.

O analista relembrou que, durante o chamado "tarifaço" de 2025, quando a família Bolsonaro atuou junto à Casa Branca para tentar aumentar tarifas e isolar comercialmente o Brasil, pesquisas registraram resultado líquido negativo para o bolsonarismo e positivo para o governo Lula. "Na defesa da soberania, o governo vai melhor. Tanto que Lula logo depois trocou o slogan do governo", ressaltou Vidal.

Para Vidal, a nota divulgada pelo governo indica que Lula aposta na tese de que a medida anunciada não se sustentará. Segundo ele, o governo parece crer que o suposto ganho político do bolsonarismo não se traduzirá em dividendos eleitorais nem em melhora nas pesquisas. "O governo parece apostar na tese de que o fato de ontem ele não vai se sustentar, ou seja, de que esse suposto ponto que o bolsonarismo ganhou não vai se traduzir em dividendos eleitorais", concluiu o analista.

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