SEGURANÇA E TECNOLOGIA

Especialista aponta vulnerabilidade estatal contra o crime digital no Brasil

Fábio Diniz, presidente do INCC, participando de painel sobre segurança digital.
Fábio Diniz, presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), durante debate no Brasil Adiante.

Presidente do INCC defende criação de agência nacional para centralizar defesa contra golpes, destacando que impunidade digital atrai criminosos.

A epidemia de golpes que afeta o País demanda uma reestruturação profunda nas estratégias de defesa pública, segundo avaliação de Fábio Diniz, presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC). O especialista defende que, embora o Estado seja fundamentalmente mais robusto que o crime organizado, a atual morosidade administrativa coloca as autoridades em desvantagem no ambiente virtual. “É muito mais fácil você, como criminoso, ser preso na rua com uma arma de fogo do que ser pego através de um servidor na internet, no computador”, afirmou Diniz em entrevista concedida durante o terceiro encontro do Brasil Adiante, ciclo de debates promovido pelo Estadão. A fala reforça um cenário de urgência: conforme dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os golpes superaram 2 milhões de registros pelo terceiro ano consecutivo. Para enfrentar essa migração criminosa para o meio digital, o presidente do INCC propõe a criação de uma agência nacional de cibersegurança. O objetivo seria centralizar competências hoje fragmentadas entre órgãos como o GSI, CertBR, ANPD e Anatel. Segundo o especialista, o modelo ideal, desenhado pelo GSI, prevê uma implementação gradual com cerca de 500 servidores, focada em mitigar perdas que, apenas no setor produtivo, alcançaram trilhões de reais. A proposta de criação da agência já possui um esboço técnico pronto, aguardando, segundo Diniz, apenas a vontade política para ser priorizada. O especialista cita os modelos do Chile e dos Estados Unidos como referências de sucesso na implementação de medidas mais robustas de enfrentamento ao cibercrime global.

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