GEOPOLÍTICA E CONFLITOS
Especialista aponta resiliência do Irã em possível conflito prolongado com EUA
Danny Zahreddine, professor da PUC-Minas, alerta que a estratégia militar americana pode falhar ao ignorar a coesão interna do Irã.
A estratégia de pressão militar adotada pelos Estados Unidos contra o Irã pode não resultar nos ganhos políticos esperados pela política externa americana. A avaliação foi feita por Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, em entrevista ao programa WW.
O especialista argumenta que a lógica americana de buscar vantagens em negociações através da força apresenta riscos consideráveis. Segundo o professor, essa tática pode levar as nações a um impasse perigoso, onde o aumento dos ataques por ambos os lados ignora a gravidade da crise humanitária e política que se desenha.
O fator resiliência
Zahreddine destaca que a pressão externa tem gerado um efeito contrário ao esperado, promovendo uma unidade interna no Irã. Mesmo diante da destruição e das sanções, a estabilidade governamental do país persa permanece firme, demonstrando uma capacidade de suportar o desgaste que supera a dos Estados Unidos.
Um ponto central dessa dinâmica de tensão é o controle de rotas estratégicas. O professor menciona o Estreito de Bab el-Mandeb como um dos ativos que o Irã pode utilizar como resposta à escalada americana. Essa postura reflete a determinação iraniana de não aceitar termos desfavoráveis, preferindo a ausência de acordos a condições que considerem humilhantes.
Para o especialista, o cenário global coloca os Estados Unidos em uma posição de maior vulnerabilidade a longo prazo. Fatores como a oscilação nos preços do petróleo e a pressão do sistema internacional devem limitar o fôlego da superpotência, enquanto o Irã, por sua estrutura interna e motivação, demonstra maior resiliência em um possível conflito prolongado.
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