VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS

Especialista analisa impactos da violência após caso de agressão no Paraná

Pai é flagrado chutando filha de três anos no Paraná.
Imagem de câmera de segurança registrou a agressão contra a criança em Francisco Beltrão.

Psicóloga alerta para a gravidade da transferência de culpa para a vítima. Polícia Civil solicita medidas protetivas após agressão em Francisco Beltrão.

A culpabilização de vítimas infantis em contextos de agressão revela um ciclo perigoso de justificação do comportamento violento, segundo análise da Dra. Juliana Prates, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em Estudos da Criança, divulgada em 10/07/2026. A reflexão ocorre após a repercussão de um caso gravíssimo registrado em Francisco Beltrão, no Paraná, no qual um pai foi flagrado chutando a própria filha de três anos.

As cenas, capturadas por câmeras de segurança no domingo (5 de julho de 2026), mostram o homem desferindo um chute contra a criança enquanto caminhava com ela e outro irmão. A atitude do agressor, que utilizou o comportamento da menor para tentar justificar o ato, é descrita pela especialista como uma tentativa de validar a violência em um ambiente que deveria oferecer proteção.

"Você vivencia não apenas o efeito do episódio de violência, mas também o rompimento de um vínculo, e isso é muito devastador", explica Juliana Prates. Para a pesquisadora, a normalização de castigos físicos, mesmo sob o pretexto de disciplina, pode levar a criança a internalizar a violência como uma expressão distorcida de afeto.

A gravidade do tema é reforçada por dados da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, com levantamento do Datafolha, que indicou que 29% dos entrevistados no Brasil admitem o uso de práticas como palmadas e beliscões em crianças de até três anos. O estudo aponta um cenário cultural onde a subjugação dos corpos infantis ainda é frequente.

Quanto aos desdobramentos jurídicos, o caso registrado em Francisco Beltrão segue em investigação. O pai foi ouvido pela Polícia Civil e liberado, uma vez que não houve o flagrante no momento da ocorrência, que chegou às autoridades apenas na terça-feira (7 de julho de 2026). A Polícia Civil informou que, diante do quadro, formalizou pedidos de medidas protetivas de urgência para garantir a integridade física da menina, de seu irmão e da mãe. O Conselho Tutelar também foi acionado e segue acompanhando a situação para assegurar o bem-estar dos envolvidos.

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