DINÂMICA DA TERRA
Elevação da Antártida foi o gatilho geológico para o congelamento do continente
Estudo publicado na Science revela que ondas no manto terrestre elevaram o terreno, criando condições para a formação do maior manto de gelo do planeta.
Forças geológicas de ação lenta foram o fator determinante para que a Antártida se cobrisse de gelo milhões de anos antes do Ártico, revela um estudo publicado na revista Science por pesquisadores do Reino Unido e da Alemanha. A descoberta, detalhada neste domingo, 12/07/2026, esclarece como a topografia do continente influenciou diretamente o clima global.
O achado soluciona 2 mistérios científicos de longa data. O primeiro é o motivo pelo qual a Antártida iniciou seu processo de congelamento há cerca de 34 milhões de anos, durante a transição do Eoceno para o Oligoceno, enquanto o Ártico permaneceu livre de gelo por mais 25 milhões de anos. O segundo refere-se às temperaturas elevadas na superfície do Oceano Antártico, registradas por 10 milhões de anos após o início do congelamento, um fenômeno que a hipótese do resfriamento global isolado não conseguia explicar.
Ondas do manto e a arquitetura continental
A origem do processo remonta a 170 milhões de anos, quando a Antártida e a África integravam o supercontinente Gondwana. A separação dos blocos durante o Jurássico gerou instabilidades conhecidas como "ondas do manto". Essas perturbações percorreram mais de 1.000 km sob a crosta, removendo raízes continentais e provocando o soerguimento gradual do terreno.
Modelos computacionais demonstram que esse movimento tectônico formou um vasto planalto na Antártida Oriental, culminando na elevação das montanhas Gamburtsev. Ao atingirem altitudes superiores a 2 km, essas formações superaram o limiar necessário para a retenção de neve, iniciando o ciclo de congelamento.
Feedback climático
A partir do acúmulo de gelo, dois mecanismos de retroalimentação aceleraram o resfriamento. Primeiro, a alta reflexão da radiação solar pelas geleiras (albedo) reduziu a temperatura global em 1 °C. Simultaneamente, a redução de vapor de água na atmosfera sobre a Antártida — um gás de efeito estufa — diminuiu a retenção de calor, consolidando a camada de gelo contínua que conhecemos hoje.
O dado é crítico para a compreensão da segurança climática atual: a Antártida Oriental abriga volume de água suficiente para elevar o nível global do mar em 52 metros. Os pesquisadores alertam que, embora o processo de formação tenha levado milhões de anos, a desestabilização desses mantos de gelo ocorre de forma significativamente mais rápida.
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