ALERTA MERCADO GLOBAL
Dólar abre sessão em alta, pressionado por tarifas de Trump e tensão EUA-Irã
Novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros e incertezas no Oriente Médio elevam a moeda. Petróleo reage com alta.
O dólar abriu em alta nesta quarta-feira, 03/06/2026, refletindo a pressão de duas frentes: a iminente aplicação de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e a contínua incerteza no conflito entre EUA e Irã. A decisão americana, anunciada na noite de terça-feira, impõe uma sobretaxa adicional de 12,5% com base na Seção 301 da Lei de Comércio, adicionando-se à tarifa de 25% já definida para o Brasil. Essa medida visa combater o que os EUA consideram uma dinâmica de "competição desigual" devido à falha de diversos países em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O mercado financeiro, no entanto, também monitora atentamente as mensagens mistas vindas dos EUA e do Irã sobre as negociações diplomáticas, cenário que mantém os preços do petróleo em elevação.
A nova investigação do governo americano concluiu que o Brasil, junto com outros 53 países, falhou em proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo. Como retaliação, foi proposta a aplicação de tarifas adicionais. Para o Brasil, a taxa adicional é de 12,5%, que, somada à anterior de 25%, pode totalizar uma sobretaxa de 37,5% sobre produtos brasileiros, caso ambas sejam cumulativas. O governo brasileiro já esperava a sobretaxa e a considera uma decisão política dos EUA. A medida se soma a outras ações comerciais do governo Trump, com o objetivo declarado de proteger empresas e trabalhadores americanos contra concorrência considerada desleal.
A taxa de 12,5% se soma a um quadro já delicado de retaliação comercial. O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% para países com proibições parciais ou compromissos formais de regras (União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador) e 12,5% para as demais economias investigadas que não possuem regimes de controle eficazes, como Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita, entre outras. O Itamaraty aguarda os desdobramentos, mas a expectativa é que as taxas se acumulem.
Paralelamente, a tensão no Oriente Médio adiciona volatilidade aos mercados. Após informações de que as negociações entre EUA e Irã estariam paralisadas, o presidente Donald Trump negou os rumores, afirmando que as conversas são contínuas. Em declarações nesta quarta-feira, Trump mencionou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e expressou desejo de conhecer o líder supremo iraniano, aiatolá Motjaba Khamenei. Essa dualidade de mensagens, entre o avanço diplomático e a escalada de tensões, impacta diretamente os preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, operava em alta de 2,10%, a US$ 98,02, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 2,15%, alcançando US$ 95,78.
O mercado financeiro global reage a esse cenário de incertezas. Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street apresentavam movimentos mistos, com o futuro do Dow Jones em queda de 0,35%, enquanto S&P 500 recuava 0,11% e Nasdaq avançava 0,14%. Na Europa, os principais índices também mostravam sinais divergentes: o alemão DAX caía 0,85%, o britânico FTSE 100 recuava 0,28% e o francês CAC-40 registrava perdas de 0,25%. Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta, impulsionadas por ações de setores óptico e de semicondutores, com o Shanghai Composite subindo 0,2% e o CSI 300, 0,5%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,6%, enquanto o Nikkei do Japão avançou 2,5%.
Em termos de desempenho do dólar, o acumulado da semana era de -0,67%, o do mês também de -0,67%, e o acumulado no ano apresentava uma desvalorização de -8,74%. Já o Ibovespa acumulava alta de +0,24% na semana e no mês, e +8,11% no ano.
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