DEBATE ACALORADO
Deputados do RN confrontam gestão da segurança pública
Oposição critica escalada da violência e base defende ações do governo Fátima Bezerra, em sessão na ALRN, nesta terça-feira, 5 de maio de 2026.
O plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte foi palco de um acalorado embate nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, onde deputados estaduais confrontaram visões divergentes sobre o avanço da violência e a gestão da segurança pública no Estado. A discussão, que polarizou o parlamento entre oposição e base governista, expôs a gravidade da crise de segurança que afeta diretamente a vida e a dignidade dos cidadãos potiguares.
Na tribuna, o deputado Luiz Eduardo (PL) pintou um cenário sombrio para Mossoró, onde a violência atinge níveis alarmantes. Com mais de 60 homicídios registrados, o parlamentar cobrou ações urgentes e desafiou as estatísticas oficiais de redução da criminalidade. “Mossoró vive o seu pior momento da segurança pública”, declarou Luiz Eduardo, questionando a eficácia das políticas estaduais ao afirmar: “Se o Estado do Rio Grande do Norte estiver fora do mapa da criminalidade, Mossoró está fora do mapa do Rio Grande do Norte”.
Luiz Eduardo também ressaltou o alarmante déficit nas forças de segurança, um fator que compromete a capacidade de resposta do Estado contra o crime. Ele exigiu a imediata convocação de aprovados em concursos, apontando que "cerca de 64,35% dos cargos previstos na Polícia Civil não estão ocupados". Com mais de 3,3 mil vagas abertas de um total de 5.150, o deputado enfatizou: "Enquanto o Estado segue operando com déficit, não há justificativa plausível para essa demora", evidenciando o risco à segurança dos potiguares.
O deputado do PL listou uma série de eventos recentes que expõem a fragilidade da segurança pública: ataques de facções em comunidades, a fuga de detentos da Penitenciária de Alcaçuz, tiroteios que aterrorizam bairros de Natal e o ferimento de um policial em Mãe Luíza. "O que vemos é um Estado que não consegue dar resposta nem na segurança, nem na saúde", criticou, mencionando a dramática falta de medicamentos na Unicat, que afeta a saúde de milhares de pessoas.
Complementando as críticas da oposição, o deputado Coronel Azevedo (PL) clamou por medidas mais enérgicas contra o crime organizado. Ele anunciou que apresentará um requerimento para que facções criminosas sejam oficialmente classificadas como organizações terroristas, buscando ferramentas legais mais robustas. "Nós estamos a combater o crime de verdade", afirmou, convidando os colegas parlamentares a endossarem a iniciativa.
Em um contraponto fervoroso, a deputada Isolda Dantas (PT) defendeu vigorosamente a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e refutou as críticas da oposição. "Defenda as suas ideias, mas não mintam. A política não é o lugar da mentira. A política é o lugar do argumento", disparou, exigindo que o debate se baseie em fatos e não em inverdades que podem desinformar a população.
Isolda Dantas reconheceu que desafios existem, mas assegurou que o governo tem implementado ações concretas e apresentou dados para sustentar sua argumentação. "Quem foi que entregou 700 viaturas novinhas? Quem foi que convocou 12 mil policiais?", questionou, destacando o fortalecimento das forças de segurança. A parlamentar também mencionou o pagamento em dia dos profissionais, a concessão de vale-alimentação e vultosos investimentos em infraestrutura, como a construção de um novo batalhão em Mossoró, visando oferecer melhores condições de trabalho e proteção à sociedade.
Em relação à complexa situação no interior do Estado, a deputada informou ter dialogado com o secretário estadual de Segurança Pública, Coronel Araújo. Ela garantiu que o governo articula ações coordenadas com diversos órgãos para enfrentar a criminalidade. "O secretário me garantiu a atenção e o cuidado que precisa ter e que está sendo feito para agir sobre a situação", declarou, transmitindo a mensagem de um esforço contínuo para restabelecer a ordem e a segurança.
Isolda Dantas também rechaçou veementemente as comparações feitas pela oposição, desafiando-os a confrontar os dados da atual gestão com os de governos anteriores. "Eu quero saber qual foi o governo que mais fez da segurança pública do Rio Grande do Norte se não foi o governo da professora Fátima", bradou, defendendo o legado. Ao rememorar crises passadas, a deputada afirmou que, em momentos críticos recentes, o governo "não negociou com bandido" e agiu com o respaldo irrestrito das forças de segurança. "Crise de segurança, vivemos, mas enfrentamos", concluiu, reiterando o compromisso da administração com a população.
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