PRESSÃO POR FILME

Daniel Vorcaro priorizou aporte para filme de Flávio Bolsonaro após pressão, revelam mensagens

Mensagens de texto trocadas entre Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e Thiago Miranda sobre liberação de verba para filme.
Mensagens obtidas pelo Intercept revelam prioridade em pagamentos para filme ligado ao senador Flávio Bolsonaro.

Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, determinou que pagamentos para o projeto "Dark Horse", ligado ao senador Flávio Bolsonaro, fossem tratados como prioridade máxima, mesmo diante de outros compromissos financeiros pendentes.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, determinou que os aportes destinados ao filme “Dark Horse”, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, fossem tratados como prioridade máxima. A informação consta em mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept Brasil, revelando uma forte pressão para que o investimento fosse liberado sem demora.

As cobranças pelo pagamento partiram do empresário Thiago Miranda, que intermediou a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para as negociações do projeto. Em 20 de janeiro de 2025, Miranda alertou o banqueiro sobre a urgência: “Hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Estamos no laço.”

Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela com uma mensagem do próprio senador Flávio Bolsonaro, demonstrando a pressão: “Ela me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”. Pouco depois, Vorcaro respondeu a Miranda: “Vou atras aqui”, indicando sua intenção de agilizar o processo.

A gestão dos pagamentos pessoais e empresariais de Daniel Vorcaro era responsabilidade de Fabiano Zettel, seu cunhado. Zettel havia relatado um montante de R$ 55,5 milhões em compromissos pendentes, sem detalhar se o valor era em reais ou dólares, evidenciando um cenário financeiro complexo.

Em 28 de janeiro de 2025, Vorcaro questionou diretamente Zettel sobre o status do pagamento do filme: “Filme vc pagou?”. A resposta de Zettel foi negativa: “Irmão, Não vem 1 real tem 3 semanas… Paguei foi nada.” Zettel acrescentou que o projeto nem figurava entre as prioridades financeiras em processamento.

Diante da situação, Daniel Vorcaro enviou uma mensagem enfática a Zettel: “Esse e o mais importante disparado. Nao pode falhar mais.” Esta determinação sublinha a importância que o filme representava para o banqueiro, em detrimento de outras obrigações financeiras reportadas.

Os documentos financeiros obtidos pelo Intercept indicam um planejamento de aportes que ultrapassava US$ 24 milhões para o projeto “Dark Horse”, o que equivaleria a aproximadamente R$ 134 milhões, segundo a cotação da época. Até maio de 2025, o fundo Havengate, responsável pela produção, já havia recebido pelo menos US$ 10,6 milhões.

O fundo Havengate está sob controle de Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Paralelamente, o Banco Central intensificava cobranças sobre a capitalização e liquidez do Banco Master, demonstrando as dificuldades enfrentadas pela instituição financeira.

O Intercept buscou contato com Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para obter posicionamento sobre as informações. No entanto, nenhum deles respondeu até o fechamento da reportagem, deixando as questões em aberto.

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