CAMPANHA SOB PRESSÃO
Crise no PL e operações policiais ameaçam pré-campanha de Douglas Ruas no Rio de Janeiro
A série de investigações contra aliados na Alerj e no governo estadual fragiliza a chapa de Douglas Ruas. Aliados discutem novos rumos diante do desgaste eleitoral.
A sucessão de operações policiais envolvendo aliados e integrantes do PL instaurou uma crise permanente na pré-campanha do deputado estadual Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro. A decisão de manter a candidatura enfrenta resistências internas, pois o avanço das investigações coloca em xeque a viabilidade do palanque e o desempenho eleitoral da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
O clima de incerteza foi intensificado nesta sexta-feira, 10/07/2026, com o acúmulo de denúncias que atingem o núcleo político do estado. Na quinta-feira, 09/07/2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrou uma operação para apurar desvios no Instituto Rio Metrópole, resultando na prisão de Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do órgão. Poucos dias antes, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, indicado para o Senado pela aliança, também foi alvo da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma.
A turbulência jurídica tem raízes profundas. Desde maio, o ex-governador Cláudio Castro tornou-se alvo de apurações da PF sobre fraudes ligadas ao Banco Master e à Refit, o que forçou sua retirada da disputa ao Senado. Atualmente, o governo interino, sob comando do desembargador Ricardo Couto, tem realizado auditorias que, segundo o Ministério Público, fundamentam novas ações contra antigos membros da gestão, gerando um efeito dominó que atinge a credibilidade da candidatura de Douglas Ruas.
Nos bastidores, lideranças do União Brasil e do PP expressam temor de que o "pente-fino" atual continue a revelar irregularidades ligadas ao entorno de Douglas Ruas. Um dirigente partidário descreveu o cenário como uma "bola de ferro" que prende a candidatura a um histórico de investigações, dificultando o diálogo com o eleitorado e a projeção de uma imagem de renovação. O desgaste é agravado pela prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, cujos desdobramentos processuais são vistos como uma ameaça latente para diversos parlamentares da base.
Douglas Ruas, que ocupa a presidência da Alerj, tenta distanciar sua imagem pública do legado do governo Castro e de seus aliados sob investigação. Contudo, a estratégia de distanciamento tático encontra ceticismo entre aliados, que avaliam ser improvável desvincular sua trajetória política das operações em curso. Com Eduardo Paes liderando as pesquisas de intenção de voto com ampla vantagem, a coligação enfrenta o dilema de reestruturar a chapa ou insistir em um projeto político que, segundo aliados, está cada vez mais cercado por problemas judiciais.
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