BENEFÍCIO GLOBAL

Crise no Estreito de Ormuz impulsiona negócios de petróleo do Brasil e atrai China e Índia

Plataforma de petróleo em alto mar, extraindo petróleo do pré-sal brasileiro.
Plataforma destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Tensões no Oriente Médio levam grandes consumidores a buscar alternativas mais estáveis, como o petróleo leve e de alta qualidade extraído no pré-sal brasileiro. Exportações para a China dobram e o país se consolida como alternativa ao Golfo Pérsico.

[ { "type": "paragraph", "props": { "content": "A instabilidade gerada pela guerra no Irã e pelas crescentes ameaças ao Estreito de Ormuz, um corredor marítimo por onde flui cerca de 20% do petróleo mundial, transformou o mercado energético global. Essa conjuntura de incerteza fez os preços do barril dispararem, impulsionando produtores de petróleo a lucrarem com a volatilidade. Nesse cenário, o Brasil surge como um player estratégico." } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "O país sul-americano se posiciona como uma alternativa ao petróleo vindo do Golfo Pérsico. O petróleo offshore extraído na costa atlântica brasileira, conhecido como pré-sal, evita as rotas de navegação sob ameaça no Oriente Médio. Adel El Gammal, especialista em geopolítica energética e secretário-geral da Aliança Europeia de Pesquisa Energética (EERA), explica que, em tempos de crise, consumidores buscam fornecedores mais estáveis e livres do caos regional, o que é o caso do Brasil." } }, { "type": "image", "props": { "url": "https://s04.video.glbimg.com/x240/992055.jpg", "alt_text": "Plataforma de petróleo no pré-sal brasileiro" } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Essa estabilidade já se reflete nos números. O Brasil, nono maior produtor mundial, responde por aproximadamente 4% da produção global, o que equivale a cerca de 4 milhões de barris por dia, um volume similar ao dos Emirados Árabes Unidos. Essa capacidade produtiva se mostra crucial diante da demanda crescente." } }, { "type": "heading", "props": { "level": 2, "content": "Uma corrida pelo petróleo brasileiro" } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Em meio à crise no Irã, o Brasil observou um aumento significativo nas exportações de petróleo, com destaque para China e Índia. Tradicionalmente grandes importadores do petróleo do Golfo Pérsico, ambos os países redirecionaram suas compras para o Brasil. Dados do governo brasileiro indicam que as exportações de petróleo para a China dobraram no primeiro trimestre, alcançando um recorde de US$ 7,2 bilhões, com mais de 60% das exportações da Petrobras destinadas ao mercado chinês." } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Adel El Gammal ressalta que a participação da China nas exportações brasileiras de petróleo bruto saltou de cerca de 40% para quase 70% após a crise no Estreito de Ormuz. As principais petrolíferas chinesas, CNPC e CNOOC, que já possuíam parcerias no Brasil, intensificaram e fortaleceram seus relacionamentos comerciais com o país." } }, { "type": "heading", "props": { "level": 2, "content": "Petróleo de alta qualidade versus infraestrutura" } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "A atratividade do petróleo brasileiro reside em sua qualidade. As vastas reservas offshore do pré-sal, descobertas na costa do Rio de Janeiro, oferecem um petróleo leve e com baixo teor de enxofre, comparável ao petróleo Brent. "O petróleo brasileiro tem a vantagem de ser leve e com baixo teor de enxofre. É um petróleo que se aproxima da qualidade do petróleo Brent, sendo considerado de alta qualidade. Diferentemente, por exemplo, do petróleo venezuelano, que é muito pesado e difícil de refinar", explica Adel El Gammal." } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Samuele Furfari, professor de Geopolítica da Energia na Universidade Livre de Bruxelas, aponta a margem equatorial, que se estende da costa amazônica brasileira até a Guiana, como um novo Eldorado rico em petróleo. No entanto, o Brasil enfrenta desafios estruturais para um desenvolvimento rápido. Adel El Gammal observa que o aumento da capacidade produtiva deve ser acompanhado de um aumento na capacidade de refino, que atualmente é insuficiente no país. Além disso, a baixa elasticidade do setor dificulta o aumento significativo da produção no curto prazo, exigindo investimentos vultosos e projetos de longo prazo." } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Plataforma destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil" } }, { "type": "heading", "props": { "level": 2, "content": "Um paradoxo ecológico?" } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Apesar de seu discurso em prol da transição energética, o presidente Lula capitaliza no setor petrolífero, com a Petrobras continuando a exploração de seus campos offshore e a retomada da perfuração no campo de Urucu, na Amazônia. Essa aparente contradição, segundo Adel El Gammal, reflete as realidades econômicas do Brasil. O presidente precisa equilibrar a agenda ambiental com a necessidade de impulsionar a economia nacional, onde a Petrobras é um ator fundamental. A descentralização política e a negociação com diferentes forças internas também limitam sua margem de manobra." } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "Para Samuele Furfari, a exploração de recursos petrolíferos por parte do Brasil é uma estratégia natural para a prosperidade de sua população, considerando a riqueza em recursos agrícolas, hídricos e energéticos do país." } }, { "type": "heading", "props": { "level": 2, "content": "O fim de um 'mercado hegemônico'" } }, { "type": "paragraph", "props": { "content": "A crise do Estreito de Ormuz também sinaliza uma transformação mais profunda no cenário energético global, com um mercado mais disperso e menos hegemônico. A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP é vista como um símbolo dessa ruptura. Embora o Brasil aproveite essa janela de oportunidade, a concorrência se intensifica com outros produtores como Guiana, Angola e Moçambique. O prêmio de escassez que o Brasil desfruta pode se erodir com a entrada de novos players, mas o mercado de petróleo permanece cíclico e sensível a desdobramentos geopolíticos." } } ]

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