VÍNCULOS SOB INVESTIGAÇÃO

Coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins mantinha laços com operador do PCC

Pessoas reunidas em uma confraternização social em área de piscina.
Coronel Luiz Carlos Pereira Martins em confraternização com Cléber Azevedo dos Santos.

Imagens e mensagens revelam que o oficial da Polícia Militar de São Paulo manteve relação de amizade com Cléber Azevedo dos Santos após o início de operações policiais.

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, da Polícia Militar de São Paulo, manteve um vínculo de amizade com Cléber Azevedo dos Santos, mesmo após o empresário tornar-se alvo de investigações policiais por suspeitas de lavagem de dinheiro. O registro dessa convivência é mantido sob análise do Ministério Público de São Paulo (MPSP) como parte da apuração sobre operadores financeiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Meses após a Operação Fractal, deflagrada no fim de 2022, o coronel e o empresário celebraram juntos a virada do ano, na madrugada do dia 1 de janeiro de 2023. Fotografias obtidas pela reportagem mostram as famílias dos dois, acompanhadas de crianças e adolescentes, em um ambiente de confraternização íntima ao lado de uma piscina. As imagens, que foram retiradas do ar na quinta-feira (23/7), expõem uma proximidade que vai além de contatos institucionais ou profissionais.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustenta que a relação entre o oficial e os empresários Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza permaneceu ativa após o início de diversas operações policiais. Para além dos registros fotográficos, as evidências incluem mensagens em um grupo de WhatsApp intitulado “Aniversário general”, que funcionou ao menos até 21 de novembro de 2023.

A investigação do MPSP aponta que Cléber operava um esquema de lavagem de dinheiro, atuando como uma espécie de banco para o PCC. Entre os elementos que compõem o caso, constam registros de reuniões para resolver disputas particulares por meio de instâncias paralelas à Justiça, envolvendo figuras ligadas à cúpula da facção criminosa.

Embora as fotografias e mensagens não configurem, por si só, a prática de crimes pelo coronel, o Ministério Público destaca a relevância do vínculo para a cronologia do caso. Os documentos não indicam que Pereira Martins tenha participado das operações financeiras ilícitas atribuídas aos empresários. A relação, no entanto, é o ponto central que o Gaeco utiliza para mapear a rede de convivência dos investigados com autoridades.

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